A ferrovia chega ao aniversário de 120 anos em Joinville neste sábado com futuro incerto e distante daquele cenário otimista de agosto de 1906. Há mobilização por causa da proximidade com a definição da nova concessão (a atual vence no início de 2027), mas ainda não há perspectivas de que a série de demandas envolvendo a linha férrea será atendida. Atualmente, a ferrovia em Joinville é apenas uma linha de passagem para transporte de cargas para o Porto de São Francisco do Sul, em cenário ainda sem sinais de mudança.
Imagens históricas
A inauguração da ferrovia entre São Francisco do Sul e Joinville foi um evento histórico em 8 de agosto de 1906. Pelo menos desde 1890 a estrada de ferro já era uma demanda para as cidades, ainda que a licença para a construção tenha saído somente em 1901. Além de linha de trem, que motivou mobilização política e empresarial para que o município fizesse parte do traçado – o que não era previsto na rota original -, Joinville ganhou uma estação ferroviária. Um marco para uma cidade de 20 mil habitantes.
Não bastasse, o vice-presidente e presidente eleito Afonso Pena participou, inclusive vindo de trem. Comboios foram receber o presidente na estação, localizada a dois quilômetros, naquele tempo, da cidade. Homenagens foram feitas ao presidente. No entanto, o peso histórico não garantiu a continuidade em curto prazo: a operação regular pela ferrovia só começaria em 1910, quando mais ramais foram construídos, em direção ao Vale do Itapocu e, mais adiante, ao Planalto Norte.
Decadência
Assim como grande parte da malha ferroviária nacional, a ferrovia teve o apogeu em Joinville até os anos 60, quando começou a decadência, com a preferência pelas rodovias. Uma das solicitações atuais é volta do trem de passageiros, serviço encerrado há 35 anos, com a desativação das litorinas. O foco é oferecer outra opção às estradas saturadas, em especial a BR-280, o único acesso rodoviário a São Francisco do Sul.
O pedido de associações de municípios é que a linha Mafra-São Francisco do Sul faça parte de estudos de viabilidade de linhas de transportes de passageiros por trem. Nem isso está garantido. Outra mobilização quer também a conclusão dos contornos de Joinville e São Francisco do Sul, como forma de retirar a passagem dos trens de cargas da área urbana das cidades e deixar a ferrovia livre para outros modais, além de parque no entorno e veículos leves sobre trilhos.
As duas obras dos contornos estão paradas há 15 anos. Mas se tratam de obras de custo elevado que dificilmente serão incluídas na futura concessão. Se saírem, terá que ser também com aportes públicos. Há demandas mais macro, como oposição do fatiamento da Malha Sul e reativação de ramais pelo Estado, também sem indicativos de atendimento. A ferrovia, a única em operação da Malha Sul no Estado, fará parte do Corredor Paraná-Santa Catarina na próxima concessão, a ser leiloada, com mais lotes, em março de 2027.
Nesse cenário, se junta ao fato de que nem a antiga estação ferroviária estará aberta neste aniversário de 120 anos: transformada em espaço de memória, passou por reforma e a reabertura está em preparação. A volta como espaço de embarque e desembarque de passageiros, encerrada em 1991, está descartada, pelo menos a curto e médio prazos. A hoje Estação de Memória reabrirá as portas como espaço de referência à lembrança de uma história iniciada há 120 anos e ainda tentando continuar.

















