Proposta de parque em SC e PR com 32 mil hectares tem estimativa de consulta pública

Prefeitura se manifestou contra implantação

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Proposta de parque é para 32, 6 mil hectares (foto: Divulgação)

A proposta de criação de parque nacional com mais de 30 mil hectares em região entre Santa Catarina e Paraná poderá ter abertura de consulta pública no primeiro trimestre de 2026. A estimativa foi divulgada na sexta-feira pelo deputado estadual Goura (PDT-PR), um dos proponentes da implantação da unidade de conservação, junto com Marquito (PSOL-SC), também deputado estadual. A proposta tem enfrentado resistência em Joinville. Nesta semana, a prefeitura mandou ofício ao Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) se posicionando contra o parque. Vereadores também se disseram contrários.

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A possibilidade de realização de consulta pública até março também é de conhecimento na prefeitura de Joinville. No procedimento, a proposta da unidade de conservação é apresentada e aberto prazo para apresentação de manifestações da população. A área mapeada para o parque tem 32,7 mil hectares em áreas nos municípios de Joinville, Campo Alegre e Garuva, em Santa Catarina, e Guaratuba e Tijucas do Sul, no Paraná.

A região fica no bioma da Mata Atlântica, em áreas mais altas das duas serras.  Os parlamentares levaram a sugestão à ministra Marina Silva (Meio Ambiente) em março do ano passado. A criação do parque nacional nos Campos do Quiriri e Araçatuba foi apontado como forma de ampliar a vocação turística e a proteção ambiental de recursos biológicos e hídricos do local.

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A publicação de Goura foi feita após reunião com o secretário estadual de Desenvolvimento Sustentável do Paraná, Rafael Greca, na terça. Técnicos do ICMBio estiveram presentes. Conforme o relato do deputado paranaense, a secretaria apoia a iniciativa. Os estudos técnicos estão em andamento pelo instituto, inclusive com visita aos locais. Ainda segundo informado pelo parlamentar, as áreas mais antropizadas, com moradores, não devem entrar na área de abrangência.

“É uma proposta bastante necessária para a preservação desse ambiente tão rico em biodiversidade, com campos de altitude, com as montanhas da Serra do Mar, que englobam Monte Crista, em Santa Catarina, e a Serra do Araçatuba, no Paraná, seguramente trará grandes benefícios econômicos e de serviços ambientais para a região”, afirmou Goura. O parlamentar se queixou da disseminação de informações incorretas sobre o tema, inclusive “fake news”.

POSIÇÃO

No documento enviado ao ICMBio, a prefeitura de Joinville se mostra contrária à proposta. “A implementação de uma nova unidade de conservação poderia também impactar negativamente o planejamento urbano e o desenvolvimento econômico do município, uma vez que as recentes atualizações do Plano Diretor e do perímetro urbano foram realizadas considerando a APA Serra Dona Francisca como a principal unidade de conservação do município”, citou a prefeitura, em documento assinado pelo prefeito Adriano Silva e o secretário de Meio Ambiente, Fábio Jovita.

A APA citada pela prefeitura tem 40 mil hectares e ocupa 35% do território municipal. Atualmente, o plano de manejo está em fase final de revisão. A prefeitura teme “sobreposição de áreas” e “conflitos de gestão” com a criação de nova unidade de conservação. “APA Serra Dona Francisca é considerada uma unidade de conservação bem estabelecida e eficaz, com planos de manejo e gestão em andamento, que atendem às necessidades de conservação da biodiversidade e do patrimônio natural da região”, alega o município.