Sem construção de novas ferrovias há quase seis décadas, SC finaliza projetos, mas ainda não há previsão de obras

Há mais demandas a serem atendidas além dos custos

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São Francisco do Sul conta com ferrovia de acesso ao porto (foto: Divulgação)

A conclusão de mais dois projetos não é garantia de Santa Catarina voltar a ganhar, pelo menos em curto prazo, novas ferrovias. Os novos investimentos não acontecem há quase seis décadas: inaugurada em março de 1969, com a presença do presidente Costa e Silva e dos governadores Ivo Silveira (Santa Catarina) e Peracchi Barcelos (Rio Grande do Sul), o ramal de 110 km entre Lages e Vacaria (RS) seria a última ferrovia entregue em Santa Catarina. Ao longo dos últimos 57 anos, o Estado foi acumulando planos de novas linhas, principalmente entre o Oeste e Litoral. Mas, por enquanto, a condição da ferrovia Lages-Vacaria de ser a última a ser construída em Santa Catarina não está ameaçada. Atualmente, Santa Catarina tem duas ferrovias em operação, para transporte de cargas. Não há movimentação regular de passageiros – a modalidade é de trens turísticos.

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O custo das ferrovias é um dos principais desafios, com estimativa nacional de R$ 30 milhões por quilômetro. Os dois projetos já concluídos e em fase de revisão, iniciados em 2022, estão saindo por R$ 36,7 milhões ao governo do Estado. Uma das ligações pretendidas, entre Chapecó e Correia Pinto, com 319 km, tem custo estimado em R$ 15 bilhões (há necessidade de série de túneis e pontes). A quantia supera com folga a Via Mar, com projeção de custar perto de R$ 10 bilhões. 

O outro projeto, da Ferrovia dos Portos, com 62 km entre Araquari e Navegantes, precisará de R$ 1,5 bilhão, pelo menos. São investimentos que precisam contar com a iniciativa privada e aportes dos governos estadual e federal. Há mais demandas. Há contatos com investidores, mas nenhuma estimativa de possibilidade de obras. O governo de Santa Catarina quer garantias de que as eventuais futuras ferrovias tenham ligação com a malha nacional. Para  isso, será preciso recuperar o Tronco Principal Sul – do qual a ferrovia inaugurada em 1969 faz parte. 

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Sem operação

O Tronco Sul cruza o Estado entre Mafra e Lages e está fora de operação. No estudo contratado pelos Estados do Sul, por meio do Codesul, para oferecer novas propostas de concessão da Malha Sul, foi incluído o levantamento de custos para recuperar a ferrovia. O secretário de Portos, Aeroportos e Ferrovias, Ivan Amaral, considera fundamental a requalificação da linha como fundamental para que não somente a ferrovia possa voltar a ser utilizada, mas que também permita que futuras ferrovias de Santa Catarina possam ter conexão com a malha nacional.

Além da ligação de Chapecó com Correia Pinto, há planos, conforme o secretário Ivan, de estender a ferrovia até o complexo portuário de Itajaí e Navegantes. Há também interesse em implantação de conexão ferroviária para atendimento da região portuária de Itapoá. Uma diretriz do governo Jorginho Mello, aponta o secretário, é levar o acesso ferroviário a todos portos – hoje, apenas São Francisco do Sul conta com a ligação.  

Neste momento, o governo de Santa Catarina aguarda a conclusão do estudo contratado pelo Codesul, com o BRDE, sobre o futuro da malha ferroviária nos Estados do Sul. O levantamento será usado para novas tratativas com o governo federal, segundo a SPAF. O governo de Santa Catarina não concorda com o modelo de divisão da Malha Sul em lotes. Houve ações judiciais para tentar suspender as audiências públicas, além de representação no Tribunal de Contas da União.

Há mais tempo para discussão porque o plano do Ministério dos Transportes é de licitar a nova concessão da Malha Sul em 2028 – a proposta original previa leilão em 2026. Com isso, a atual concessão, perto de vencer, será prorrogada por dois anos. Para o secretário Ivan Amaral, se o modelo de fatiamento de Malha Sul não for revisto, há risco de lotes não atraírem interessados no futuro leilão – o que deixará a expansão de ferrovias no Estado ainda mais distante, afinal, não será possível a conexão das linhas a serem construídas com a malha nacional.

Confira mapa dos traçados de novas ferrovias em estudo