Festa do Divino já é Patrimônio Imaterial de SC

Compartilhe:

Quando me mudei para Florianópolis em 1997 e comecei a trabalhar como repórter do DC passei por algumas “provas de fogo”. Eu nunca tinha ouvido falar em Festa da Irmandade do Divino Espírito Santo, Terno de Reis ou sobre o folclore do Boi de Mamão, por exemplo. Tive que aprender na marra, para poder escrever sobre o assunto e entrevistar as pessoas sem passar vergonha pelo meu desconhecimento. Entre todas estas manifestações trazidas pelos imigrantes açorianos, a Festa do Divino sempre me chamou muito a atenção. O desfile pomposo, o luxo das roupas, a coroação do Imperador… Me sentia assistindo a um filme de época. É uma tradição muito bonita, e se torna ainda mais interessante quando a gente entende o que está sendo representado ali.

Continua após a publicidade

Então, foi com satisfação que eu soube que a Festa do Divino Espírito Santo da IDES recebeu o registro, neste mês de janeiro, de Patrimônio Cultural Imaterial Catarinense. Santa Carina passa a ter dois eventos em seu calendário com esta distinção: a Procissão Nossa Senhora dos Passos e agora a Festa do Divino da Irmandade do Divino Espírito Santo. Muito justo, tanto em razão da sua longevidade quanto da imensa devoção dos fiéis e da grande participação popular. Realmente esta celebração faz parte da vida dos catarinenses, especialmente dos que residem no litoral. Além de diversas comunidades de Florianópolis, outras cidades catarinenses também contam com os festejos, como Penha, Barra Velha, Itajaí, Camboriú, Laguna, Imbituba, Jaguaruna, Santo Amaro da Imperatriz, São José, Palhoça, Biguaçu, Garopaba, Tijucas, Tubarão, Lages, São Joaquim e Blumenau, notadamente, em sua maioria, aquelas de grande influência do povoamento açórico-madeirense.

A Irmandade do Divino Espírito Santo de Florianópolis (IDES) foi criada em 1773 e reflete as tradições da cultura dos povoadores açorianos da Ilha de Santa Catarina. São quase 250 anos de história. Uma curiosidade: no seu acervo histórico, a IDES ainda possui a coroa e o cetro que datam de 1774, trazidos diretamente dos Açores e que são utilizados na liturgia da festa desde 1776. Mas não é só para realizar a Festa do Divino que a Irmandade existe. Ela desenvolve um trabalho social importantíssimo para a comunidade. Trata-se de uma ONG que tem por missão promover a cidadania e o desenvolvimento social. Atualmente os programas da IDES atendem cerca de 750 crianças e adolescentes diariamente, através dos seus três núcleos de atendimento. Mantém e administra o Lar São Vicente de Paulo (desde 1910), assim como a Associação Promocional do Menor Trabalhador (Promenor), e o Centro de Educação Infantil Girassol (CEIG).