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Opinião

As pessoas estão doentes, e a causa não é o coronavírus

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Por Ânderson Silva
05/04/2020 - 13h57 - Atualizada em: 05/04/2020 - 14h36
Morte de Aislan Crozeta Corrêa, em São Ludgero, causou onda de desrespeito nas redes sociais
Morte de Aislan Crozeta Corrêa, em São Ludgero, causou onda de desrespeito nas redes sociais

A crise atual revelou um quadro grave entre os brasileiros. E o motivo não é o coronavírus, doença que já matou 432 pessoas no país. Os sintomas são diferentes e os efeitos devastadores. Quem os possui, transmite com intensidade, sem compaixão ou empatia. Os contaminados atingem o psicológico alheio, causam medo, espalham insegurança.

As pessoas estão doentes por espalharem mentiras, por compararem a dor de uma morte com a de outra, por enxergarem motivos para brigar em meio um momento de tanta preocupação.

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As redes sociais são o campo aberto para a proliferação da doença. Comentários pesados, agressivos, fake news. Rapidamente o clima tenso se espalha, como se não bastasse o sentimento pesado instalados entre as pessoas. A crise do coronavírus expôs a gravidade do quadro, escancarou a incapacidade de enxergar a dor de quem nos rodeia.

A morte de Aislan Crozeta Corrêa, 32 anos, no Sul de Santa Catarina, revelou mais uma das faces desta doença - não a do coronavírus, repito. As informações oficiais, tanto da prefeitura como do governo do Estado, confirmam que o paciente tinha coronavírus. Mas o tribunal da internet e do WhatsApp deu um jeito de apontar outra causa. Foi necessário pouco tempo para se espalhar a mentira. Atarefadas pela quantidades de preocupações com a atual crise, as autoridades precisaram parar suas atividades para negar a fake news.

Mas não terminou nisso. Começou também a relativização da morte de Aislan, a comparação com outras doenças. Tudo como se o rapaz de 32 anos, casado, pai de uma criança pequena, fosse apenas um número, sem qualquer relevância. A morte dele tornou-se motivo para uma discussão sobre a força do coronavírus, algo que em nada agrega para o momento.

As pessoas realmente estão doentes. Mas é por falta de capacidade de se colocar no lugar do outro, por enxergar questões ideológicas acima do humanismo, por ignorar a tristeza da família que chora a perda de uma pessoa. Ignora-se o sentimento em detrimento da agressão, do enfrentamento para comprovar que a sua tese é melhor do que a outra.

A cura dessa doença, porém, existe. E não pede muitos estudos e análises laboratoriais. Uma forma é colocar em prática o mínimo de afeto. Precisamos agir como humanos, no sentido da palavra: "bondoso, compassivo, caridoso", como indica o dicionário. Não precisa ser um especialista em altruísmo para isso. Basta somente se colocar no lugar dos outros.

Ânderson Silva

Colunista

Ânderson Silva

Colunista da NSC Comunicação, publica diariamente informações relevantes sobre as decisões que impactam o catarinense, sem esquecer dos bastidores dos poderes. A rotina de Florianópolis em texto e imagens também está no radar da coluna.

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