O sábado, 28 de março de 2026, foi de caos na BR-101, na região de Itajaí e cidades próximas. Um cenário não previsto, mas que ninguém pode dizer que estava fora de cogitação dentro do roteiro de terror em que se transformou a concessão do trecho Norte da principal rodovia federal de Santa Catarina.

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O incêndio em um caminhão, no começo da tarde, interditou as duas faixas no sentido Sul, em Itajaí, e provocou filas em todo o entorno, até mesmo no ferry boat. A liberação completa da rodovia só ocorreu depois das 23h. As filas na 101 ultrapassaram os 20 quilômetros de distância. Isto sem falar no impacto em outras vias do entorno.

Mais assustador do que os relatos de pessoas que ficaram horas paradas em filas para percorrer curtas distâncias entre uma cidade e outra é a atual falta de perspectiva de uma solução definitiva para a concessão administrada pela Arteris Litoral Sul. Com contrato de sete anos pela frente, a empresa não tem mais nenhuma obra de grande porte prevista para o trecho Norte. Ao mesmo tempo, foram encerradas as negociações para a tentativa de otimização do contrato, modelo criado pelo governo federal para concessões rodoviárias.

O cenário atual, portanto, é de um verdadeiro filme de terror. O Litoral Norte catarinense, uma das regiões que mais crescem no Estado, está refém de incidentes e acidentes. Refém do acaso. E nada, neste momento, se apresenta como viável para aliviar a tensão constante na rodovia.

A BR-101 Norte tornou-se uma trava para o desenvolvimento de Santa Catarina, e não apenas no eixo econômico, mas na vida das pessoas. O catarinense que planejou o sábado para aproveitar o dia de sol, curtir a família e os amigos, cumprir agendas de lazer ou fazer compras de fim de semana perdeu o dia “encaixotado” no trânsito.

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O incêndio no caminhão expõe que a região está sem alternativas. Não há plano B. Não há como fugir das filas. Quando elas surgem, a única opção é esperar, e perder compromissos.

Um filme de terror com roteiro já conhecido. Com capítulos que vão se repetir. É só questão de tempo.