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Convention Bureau critica escolha do pavilhão da Marejada para abrigar hospital de campanha em Itajaí

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Por Dagmara Spautz
12/04/2020 - 17h24 - Atualizada em: 13/04/2020 - 08h43
Centreventos de Itajaí (foto: Marcos Porto, Divulgaçao)
Centreventos de Itajaí (foto: Marcos Porto, Divulgaçao)

O Convention & Visitors Bureau de Itajaí publicou uma nota pública, neste domingo (12), em que critica a escolha do Centreventos - o pavilhão da Marejada - para a instalação do primeiro hospital de campanha de Santa Catarina. A instalação custará R$ 76 milhões, para seis meses de funcionamento.

Assinada pelo presidente da entidade, Wolfgang Roedel, a nota afirma que o hospital vai inviabilizar o uso do Centreventos por um longo período, o que pode prejudicar o setor de turismo na cidade. Na avaliação do Convention, os impactos podem ser "irreversíveis" tanto para a iniciativa privada, quanto para o poder público, que terá reflexos na queda de arrecadação.

A nota sugere que o hospital de campanha seja instalado no antigo Hospital Santa Inês ou no Centro de Eventos de Balneário Camboriú, que ainda não foi concluído. Os dois espaços chegaram a ser sugeridos pelo prefeito de Balneário, Fabrício Oliveira - mas o Estado optou pelo pavilhão de Itajaí. O motivo da escolha não foi divulgado pela Defesa Civil estadual.

O Convention pede que, caso seja mantido o hospital de campanha no Centreventos de Itajaí, o poder público compense o setor com políticas de incentivo e abertura de outro espaço para a realização de eventos.

Veja a nota na íntegra

"Sabemos da urgência e necessidades e apoiamos todo esforço em nos preparar para a pandemia COVID-19 e seus impactos. Mas também sabemos que as escolhas de hoje precisam ser avaliadas sob vários aspectos para evitar que os impactos no futuro sejam irreversíveis.

O turismo está sempre atento e ativo para que sejam mantidas as estruturas de segurança, limpeza, sinalização, saneamento, enfim, a cidade organizada. Com pontos turísticos e praias para se visitar, o turismo mantém bons restaurantes e bares, hotéis de qualidade, empresas de transporte e tudo para termos uma boa cidade para a própria comunidade também passear e se orgulhar. Sem falar nos impostos gerados que naturalmente sustentam outras áreas da economia municipal. Para se ter uma ideia, um participante de evento chega a gastar 200 dólares, em média, por dia. Apenas um evento de três dias para 1.000 visitantes somam cerca de 3,18 milhões de reais em gastos diretos, gerando grande soma em impostos que naturalmente são revertidos para a população local.

E tudo está prestes a ser paralisado por mais tempo pela escolha do único espaço de eventos da cidade que receberá aportes que o inviabilizará por, pelo menos, seis meses. Ou seja, mesmo que a crise se amenize, teremos todo o ano de 2020 comprometido.

Considerando que há outras saídas para a construção de leitos de UTI, como o hospital Santa Inês, em Balneário Camboriú, que já está desativado e mais facilmente seria adaptado para a construção das instalações do que o previsto no CentrEventos da Marejada.

Considerando que a hotelaria de Itajaí já é, sem dúvida, uma das melhores do Estado e se colocou à inteira disposição para o suporte de equipes médicas e pacientes em quarentena.

Considerando que o Governo Estadual poderia continuar ampliando as estruturas municipais e não centralizar em um único local o atendimento para os acometidos do COVID-19.

Considerando que há outros espaços de eventos que são do próprio Governo do Estado e que poderiam oferecer a logística mais adequada para entrada e saída de ambulâncias, a exemplo do Centro de Eventos de Balneário Camboriú, ainda não licitado e com boa parte de sua agenda aberta.

Considerando que bloquear o único equipamento de eventos da cidade de Itajaí (CentrEventos Marejada), tornando-se hospital de campanha, irá gerar inúmeros transtornos por se localizar no centro da cidade e por inviabilizar toda e qualquer movimentação até o final do ano, acarretando o desemprego em massa e a evasão quase que total de turistas de lazer e eventos dos hotéis, restaurantes, bares, transportes, agenciamento e outros que sobrevivem deste mercado.

Considerando que os tributos gerados pelo fluxo de viajantes é extremamente representativo para sustentar o caixa do município, que já se apresenta em condições de risco.

E considerando finalmente que a escolha do CentrEventos como hospital de campanha irá prejudicar estrategicamente o setor e colocará a cidade em isolamento para viajantes que necessariamente precisam realizar seus negócios na região de Itajaí e até para aqueles com a intenção de visitar a cidade. Sem falar de outros negócios, estamos falando de 1.500 quartos de hotéis paralisados e futuros impactos em decorrência disto.

Nosso posicionamento inicial, como exposto acima, é para que se busquem alternativas mais sensatas e viáveis para esta escolha do CentrEventos de Itajaí como hospital de campanha.

E, caso seja confirmada a decisão por paralisar o CentrEventos, pedimos encarecidamente que as autoridades municipais e estaduais tenham olhos especialmente atentos ao mercado do turismo. Precisamos de subsídios, acesso a crédito, isenção tributária, incentivo para o turismo local, espaço paralelo para retomar os eventos, enfim, alternativas para que as empresas, sonhos, empregos, estruturas erguidas a duras custas, possam de alguma forma, sobreviver.

Somos de Itajaí e nos orgulhamos de nossa região. Esperamos que as decisões vindas de autoridades públicas abram maior diálogo com o empresário local que é a máquina de geração de empregos e recursos para a nossa região".

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O que acontece de mais relevante em boa parte do litoral catarinense, especialmente Itajaí e Balneário Camboriú. Fontes exclusivas e informações de credibilidade nas áreas de política, economia, cotidiano e segurança.

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