Animado com as expectativas de mais negócios em função do acordo Mercosul e União Europeia, o agronegócio brasileiro foi surpreendido com a confirmação, do lado europeu, de que vai suspender as importações de carnes, pescados e mel do Brasil por falta de informações técnicas sobre uso de antibióticos. É um mercado relevante para Santa Catarina para exportações de aves. De janeiro a maio deste ano, respondeu por 17,3% das receitas e 11,1% do volume de exportações desse produto do estado.
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De acordo com o Sindicato da Indústria da Carne e Derivados de Santa Catarina (Sindicarnes), as empresas do setor estão cumprindo as regras europeias e acreditam que esse veto será revertido com informações enviadas pelo Ministério da Agricultura para as autoridades sanitárias do bloco europeu.
A União Europeia aprovou esse regulamento sobre antimicrobianos em 2019 e informou que ele entraria em vigor em setembro de 2026. As agroindústrias do estado dizem que elas têm subsidiado o Ministério da Agricultura para fazer esse relatório. Porém, a pasta ainda não enviou as informações aos europeus.
Receita de quase US$ 200 milhões
O mercado da União Europeia importa mais para SC no segmento de proteínas de aves. O estado destinou para aquele mercado 60,2 mil toneladas do produto de janeiro a maio deste ano, somando receita de US$ 199,64 milhões.
A média foi a mesma do ano passado, quando, a partir de maio, teve suspensão temporária em função do caso de gripe aviária no Rio Grande do Sul, explica o analista de Socioeconomia e Desenvolvimento da Epagri/Cepa, Alexandre Luiz Giehl.
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– A União Europeia já teve maior importância nas exportações de carne de frango de Santa Catarina. No início dos anos 2000 chegou a representar mais de 1/3 das receitas com o produto. Em 2003, chegou a 36,3% do total – destacou o analista.
De acordo com o Sindicarnes, a Europa não está importando carne suína de Santa Catarina e do Brasil e nem carne bovina do estado. Mas tanto para a carne de aves, como para as demais, é importante ter mercado aberto para a Europa também por reputação porque vários países só compram de quem vende para a União Europeia.
Setor representado pela ABPA e Abiec
A representação do setor junto ao governo federal do Brasil está sendo feita pela Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) e pela Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec). Essas entidades também argumentam que o setor está produzindo dentro das regras, só faltam as informações aos europeus.
De acordo com o G1, o Brasil destina 5,8% para a União Europeia da carne bovina que exporta. É o terceiro maior mercado, atrás da China, que compra 49,3%, e dos Estados Unidos, 9%. Considerando carnes em geral, a EU é o segundo maior mercado, com 5,7% do total, atrás da China, que compra 30,8% do total exportado pelo país.
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Mel e pescados também na lista
O mel e os pescados também estão na lista de restrições da União Europeia, mas eles não têm vendas significativas para aquele mecado. No caso do mel, segundo dados de 2025 apurados por Alexandre Luis Giehl, a Europa deixou de ser um mercado importante para o produto.
No ano passado, SC exportou 4,82 mil toneladas de produtos apícolas com receita de US$ 16,5 milhões. Desse total, 93% foram para os Estados Unidos. A UE foi destino de somente 2,1% do mel exportado por Santa Catarina.
O estado também vende pescados para os europeus. Mas as estatísticas mostram que do total vendido, somente 1% do volume e 0,7% das receitas catarinenses de 2025 vieram de vendas à União Europeia. Ao todo, SC obteve receita de US$ 67 milhões com exportações de pescados e moluscos em 2025, considerando todos os mercados.

