A Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial (Embrapii), idealizada para ser a “Embrapa” da indústria do país, atingiu sexta-feira a marca de R$ 1 bilhão em projetos de inovação financiados.
Com seis unidades credenciadas, Santa Catarina em quarto lugar do país em recursos liberados e em quinto lugar no total de projetos aprovados, informa o presidente da Embrapii, Jorge Almeida Guimaraes. Recentemente ele esteve em Florianópolis para explicar como as universidades e instituições de pesquisa podem participar. Segundo ele, indústrias de todos os portes podem apresentar projetos. Saiba mais a seguir.
Concebida para ampliar investimentos em inovação, a Embrapii chega a R$ 1 bilhão financiado. Como foi essa evolução?
Jorge Almeida Guimarães: A Embrapii é uma organização muito nova. Foi inaugurada em 2014 e por isso estamos no quarto ano de operação. Ela foi concebida (inspirada no instituto alemão Fraunhofer) para estimular a interação de universidades e institutos de pesquisa com empresas, uma coisa considerada sempre muito difícil no Brasil. Conseguimos quebrar essa resistência. e as empresas estão apostando muito no modelo onde a Embrapii financia um terço dos projetos com recursos não reembolsáveis, com agilidade, sem burocracia. Isso tem atraído muito as empresas. Selecionamos institutos para desenvolver projetos de pesquisa aplicada e inovação para as empresas. E a resposta das empresas tem sido muito positiva. Mesmo nesses três anos de crise conseguimos avançar tremendamente. Começamos com 10 empresas e estamos com 415 empresas, quase 600 projetos de inovação aprovados que geram produtos, patentes, empregos e impostos para o governo. O modelo está indo muito bem.
Como está a atuação da Embrapii em Santa Catarina?
Guimarães: Santa Catarina é um Estado extremamente importante para nós. Temos 42 unidades Embrapii no país, das quais seis estão em SC: Fundação Certi, Laboratório Polo (UFSC), Instituto Federal e os três institutos Senai de Inovação (um em Florianópolis e dois em Joinville). Temos também em Santa Catarina a participação de inúmeras empresas, com forte atuação da Fundação Certi, Fiesc (institutos Senai de Inovação), UFSC e Fapesc. Temos parcerias também com o Badesc e o BRDE. O modelo foi muito bem recebido. SC é um dos Estados mais evoluídos do país, o modelo da Embrapii se adaptou muito bem e continuamos apostando no crescimento dessas parcerias. Além de projetos com empresas do Estado, as instituições catarinenses atendem empresas de outros Estados. Desenvolve projetos para diversos setores da economia, desde instrumentos hospitalares para o setor de saúde até o projeto de satélite com a Embraer e a Telebras no Instituto Senai na Capital.
Nesse R$ 1 bilhão o senhor está considerando todo o capital investido?
Guimarães: Sim. Inclui a parte da Embrapii, que é um terço, mais a parte da empresa que fica em 47% ou 48% e a parte das unidades de pesquisa que entram com os pesquisadores e equipamentos para desenvolver os projetos. A participação da Embrapii com um terço do valor dos projetos reduz os riscos para as empresas investirem em pesquisa e desenvolvimento.
Quem fornece os recursos?
Guimarães: A Embrapii é uma organização social privada que presta serviços para três ministérios: Ciência e Tecnologia, Educação e Saúde. Eles têm um convênio com a Embrapii para investimento de R$ 1,5 bilhão entre 2014 e 2019. Ainda estamos muito aquém disso. Estamos com um quinto desse montante. No começo foi mais difícil. Agora que a empresa está avançando, com um modelo excelente, as empresas é que procuram fazer contratos conosco, por isso cresce mais rápido.
Para poder ter um projeto financiado pela Embrapii é preciso que a empresa tenha um tamanho mínimo ou não?
Guimarães: Não tem essa exigência. Depende do tipo de projeto, do setor em que a empresa atua. Há algumas que têm projetos mais baratos, de menos riscos e outras que têm projetos mais caros, que envolvem mais riscos. Não há uma restrição de tamanho, desde que seja empresa industrial.
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