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Entrevista

“Nenhum funcionário nosso precisou de internação por Covid-19”, diz diretor do Hospital Dona Helena

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Estela
Por Estela Benetti
05/09/2020 - 10h06 - Atualizada em: 10/09/2020 - 23h44
José Tadeu Chechi, diretor-geral do Hospital Dona Helena, de Joinville
José Tadeu Chechi, diretor-geral do Hospital Dona Helena, de Joinville (Foto: Divulgação)

O centenário Hospital Dona Helena, maior instituição hospitalar privada em Joinville, com 150 leitos ativos, foi o primeiro a enfrentar caso grave da Covid-19 no município: cuidou do empresário Mario Borba, a primeira vítima da doença na cidade e segunda do Estado, que faleceu em 30 de março. 

Passados cinco meses, o diretor-geral José Tadeu Chechi, avalia que a equipe do Dona Helena, integrada por 870 profissionais, enfrentou bem os desafios até aqui, sem caso grave de Covid-19 no próprio quadro. O hospital ofereceu serviço psicológico especial para os colaboradores lidarem melhor com o trabalho frente ao novo coronavírus e continuou investindo para aprimorar o atendimento em geral. Entre as novidades, criou um novo serviço de oncologia para cabeça e pescoço.

Mapa mostra a evolução do vírus em Santa Catarina

Executivo da instituição desde 2013, quando veio de São Paulo para liderar a gestão de pessoas, Chechi passou pela diretoria financeira e agora está à frente das decisões que garantem de 20 mil a 25 mil atendimentos por mês para a cidade e região. Saiba mais na entrevista a seguir:

Como o Hospital Dona Helena se preparou para enfrentar a Covid-19?

-Já em janeiro, quando surgiram as primeiras notícias da pandemia, o Hospital Dona Helena criou um comitê de gerenciamento da crise, adotando diversas medidas – e não apenas no âmbito do atendimento, em si, mas para garantia de insumos e profissionais suficientes para atender a todos. Em paralelo, integramos o comitê público-privado, apoiando, com nossa expertise, a rede pública de saúde. Ao longo da pandemia, o hospital acompanhou e se adequou a todas as exigências das portarias publicadas. Também investiu em uma central de máscaras para melhor gestão do insumo e preparou um espaço de UTI extra, com 10 leitos, que permanece fechado, até o momento, mas disponível, se for necessário ampliar os leitos na cidade.

O atendimento ao público em acesso (portaria) diferente no hospital facilitou o trabalho?

- Com acessos distintos, conseguimos separar os fluxos, o que proporcionou maior segurança a todos os envolvidos. Atendemos, ainda hoje, com acesso para pacientes de sintomas não respiratórios e com sintomas respiratórios, o que, claro, nos exigiu uma revisão dos fluxos internos. Foi necessário, ainda, reescrever rotinas em virtudes da utilização de EPIs nas áreas que demandam proteção diferente, conforme preconiza a OMS. Ao retomar os atendimentos, o centro cirúrgico do Hospital Dona Helena adotou uma série de medidas para maior segurança. O paciente não pode ter sintomas gripais e a primeira checagem de sua saúde ocorre no agendamento da cirurgia. No dia do procedimento, caso algum sintoma gripal seja percebido, o paciente não tem acesso ao centro cirúrgico. As cirurgias de urgência e emergência são realizadas em local exclusivo e de acesso restrito.

Quais foram os maiores desafios enfrentados até aqui no atendimento a doentes de Covid-19?

- Há vários pontos. Eu destaco o cancelamento de procedimentos eletivos, cirurgias, exames e consultas, aumento dos custos de insumos e desabastecimento de alguns deles, necessidade de estabelecer um processo claro e transparente, envolvendo os funcionários, com informações rápidas e intensificação dos treinamentos. Esse é um empenho para manter a equipe mobilizada – já que a situação, única em mais de 100 anos, mexe muito com o emocional de todos. Também criamos um programa de apoio psicológico para proteger as equipes, que, felizmente, embora não tivessem nenhum colega internado, tiveram que cuidar de colegas de outras instituições.

Quanto por cento da equipe da instituição acabou contraindo a doença e tendo que se afastar?

- Como reflexo das ações proativas que o hospital adotou, já no início da pandemia, nosso índice de contaminação interno não foi muito alto. Até agosto, contabilizamos exatos 83 funcionários da equipe com resultado positivo para Covid-19 – nenhum precisou de internação. O absenteísmo de julho foi o maior da história do hospital, 4,7%, o que exigiu cancelamento de férias, redistribuição de escalas de trabalho para que os pacientes não fossem prejudicados. 

Felizmente, tivemos apoio das equipes, que prontamente se mobilizaram para que pudéssemos seguir firmes em nosso propósito de cuidar de vidas. Importante destacar que o índice de ausências foi histórico em virtude do afastamento de profissionais que tinham em suas residências parentes com Covid-19 confirmada, o que exigia que nosso profissional também permanecesse em quarentena.

A instituição teve perda de receita pela falta de pacientes nos primeiros meses da pandemia?

- Houve comprometimento do faturamento em função da suspensão dos atendimentos eletivos.

Quanto foi essa perda e o que fizeram para amenizar?

- Jornada parcial dos funcionários, redução de banco de horas, renegociação de contratos com fornecedores e algumas dispensas foram necessárias.

Apesar da pandemia, o Dona Helena iniciou novos serviços de oncologia. Quais são as especialidades?

- É verdade que foram necessárias readequações no planejamento estratégico – mas seguimos abrindo novos serviços, como os ambulatórios especializados em otorrinolaringologia e cabeça e pescoço. Temos a convicção de que é fundamental seguir buscando soluções que minimizem os gargalos do atendimento em saúde para a população de Joinville.

Joinville é uma das cidades com maior propagação do novo coronavírus. Considerando informações no atendimento do HDH, vocês chegaram a alguma conclusão sobre o que causa essa maior incidência no município?

- Joinville é uma cidade de muita movimentação de pessoas em virtude do seu parque tecnológico, industrial e principalmente de sua localização geográfica. Entendemos que, por esses fatores, é natural que o vírus tenha uma maior circulação na cidade – considerando, ainda, que somos a maior cidade do Estado.

Se fala muito que após a pandemia haverá forte crescimento de atendimento médico por outros problemas de saúde. O senhor concorda?

- Percebemos um receio da população em buscar atendimento médico para outras patologias, o que de fato poderá prejudicar o acompanhamento de doenças crônicas.

O hospital iniciou atendimento com novo plano de saúde, novos fornecedores?

- O hospital tem, em seu planejamento estratégico, o objetivo de expandir tanto em serviços como em parcerias, que buscam minimizar os gargalos na área da saúde.

Estela Benetti

Colunista

Estela Benetti

Especialista na economia de Santa Catarina, traduz as decisões mais relevantes do mercado, faz análises e antecipa tendências que afetam a vida de empresários, governos e consumidores.

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Especialista na economia de Santa Catarina, traduz as decisões mais relevantes do mercado, faz análises e antecipa tendências que afetam a vida de empresários, governos e consumidores.

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