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    Falta de chuvas

    Um dos desafios de Moisés é agir para amenizar efeitos da seca

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    Por Estela Benetti
    27/11/2020 - 19h00 - Atualizada em: 27/11/2020 - 19h07
    Seca no Oeste
    Seca no município de Barra Bonita (Foto: Epagri, divulgação)

    Ao reassumir o mandato de governador, Carlos Moisés tem dois grandes desafios: ajudar a amenizar o sofrimento causado pela seca no Estado e adotar ações que ajudem a conter a pandemia. Enquanto a proliferação do novo coronavírus pode ser reduzida se as pessoas voltarem a adotar mais medidas preventivas, em especial o uso de máscara em locais com outras pessoas, a seca exige estratégias e investimentos de curto, médio e longo prazo.

    Produtores de leite de SC vendem animais por falta de água

    A escassez de chuvas, que começou ainda no ano passado, reduziu em cerca de 50% as precipitações em boa parte do Oeste nas últimas semanas. Em função disso, dezenas de municípios enfrentam falta de água para atender as populações das cidades e do campo. Há, também, falta de água para animais da pecuária e os silvestres.

    O setor produtivo enfrenta falta de água nas cidades e no campo. Em Chapecó, onde a situação é crítica, uma agroindústria já destinou mais de R$ 14 milhões para trazer água de caminhão do rio Uruguai. A cidade cobra há uma década, da Casan, um novo sistema de captação regional junto ao rio Chapecozinho, que requer investimento da ordem de R$ 200 milhões. Em dezenas municípios, empresas enfrentam falta de água e não conseguem abrir ou reabrir poços pela demora de licenças ambientais.

    Na agricultura, até o momento a perda maior é de milho silagem, principal alimentação para bovinos de leite. Projeções da Epagri, empresa de pesquisa agrícola e extensão rural, apontam quebra de 40% da safra do produto. Outras culturas como milho em grão e soja também têm perdas. Na pecuária de leite, em função da falta de água, produtores estão vendendo animais.

    Como a seca é um problema recorrente em SC, principalmente no Oeste, o setor público, especialmente o governo do Estado e o governo federal, deveriam investir em projetos grandes para reservar água e abastecer cidades. As opções podem ser captações junto a rios maiores, construção de grandes açudes regionais, poços artesianos nas cidades e reservatórios de água de chuva. As propriedades rurais precisam de crédito para fazer projetos individuais de reservatórios.

    No seu curto mandato de governadora interina, a vice Daniela Reinehr anunciou várias pequenas liberações de recursos, mas não um projeto marcante para amenizar a seca na região que é a sua base política e eleitoral. A expectativa é de que Moisés elabore projetos e execute. Seca exige prevenção de longo prazo. Não dá para buscar soluções paliativas na última hora. O tatu que praticamente pediu água para a professora Sonia Lourdes Magrini, que caminhava em estrada em São Miguel do Oeste, emocionou muitos leitores quando a história foi contada aqui no DC Digital. Mostrou o tamanho do drama que a falta de chuvas gera para todos.

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