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    A volta do futebol

    Na Alemanha, o futebol está de volta com um “novo normal” que é bastante estranho

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    Faraco
    Por Faraco
    16/05/2020 - 14h15 - Atualizada em: 16/05/2020 - 17h53
    Os cumprimentos com os cotovelos substituíram os abraços nas comemorações dos gols do Borussia Dortmund(Foto: Martin Meissner/AFP)
    Os cumprimentos com os cotovelos substituíram os abraços nas comemorações dos gols do Borussia Dortmund(Foto: Martin Meissner/AFP)

    Um olhar rápido com bola rolando daria a impressão que ali, entre Borussia Dortmund x Schalke04, havia o futebol como ele sempre foi. Sim, com organização tática, disputas acirradas com o necessário contato físico, grandes lances e gols, como é o futebol.

    Mas quem acompanhou a cena completa da tão esperada da volta do futebol num grande palco mundial, viu que, na realidade, tudo estava muito estranho. Em Dortmund ou em Leipzig, onde jogavam, ao mesmo tempo, RB Leipzig x Freiburg, quase nada era normal.

    A atmosfera dos estádios se perdeu com as arquibancadas vazias. Mesmo com o áudio de torcida nos gols em Dortmund, para um ataque que fez quatro gols, o calor do momento mais importante desse esporte tão apaixonante deu lugar a uma frieza, que também estava registrada na constrangida comemoração entre os jogadores.

    Os gols são o momento de explosão, de alegria, de encantamento e vibração. Era tudo que não havia. Dava pra notar a força que os jogadores faziam para não correr um para o outro para os abraços tão tradicionais. Em vez disso, constrangimento e alguns toques de cumprimentos com o cotovelo. Mesmo que nos lances de área, o famoso agarra-agarra estivesse de volta. Uma das contradições deste “novo normal”.

    O futebol está de volta. Com um misto de alegria e tristeza. A alegria é de poder ver novamente uma partida ao vivo, inédita, imprevisível. A tristeza está nas restrições impostas e muito necessárias pelo momento que o mundo vive, na luta, ainda sem horizontes definidos, do combate ao vírus ameaçador. Foi a sensação inevitável.

    Os exemplos que a Alemanha dá ao mundo

    Disciplina, ordem, respeito às regras e às outras pessoas. E fundamentalmente, testes e mais testes. O futebol só pôde voltar na Alemanha porque a política de combate ao coronavírus é muito clara e se baseia em fazer muitos testes na população para entender e ter uma noção mais próxima da realidade da disseminação do vírus no país.

    O país também teve entre março e abril muitas restrições num regime de quarentena que beirou ao lockdown. Assim, teve neste período dos últimos dois meses mais curados que doentes e menos mortes que Espanha, Itália e Grã-Bretanha.

    O futebol volta com base em três pilares. O primeiro deles é o monitoramento permanente dos doentes. O segundo é um protocolo rígido de regras de higiene e segurança sanitária. E o terceiro é a realização de testes constantemente.

    Ainda é cedo para ter certezas. Se tudo der certo na Alemanha, outros países na Europa poderão seguir os exemplos e um mesmo caminho para voltar a jogar bola. Mas até na Alemanha, onde há uma liderança ponderada e firme nas declarações, que passa confiança ao povo, com discernimento, clareza e consciência, há também debates e receios pelas liberações feitas agora.

    A volta da Bundesliga é um grande passo e um grande teste, para eles e para o mundo. Todos aguardavam ansiosamente pelo jogo e vão seguir aguardando ansiosamente pelos resultados – não somente, óbvio, os resultados dos placares.

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