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WO

Noite lamentável para o Figueirense

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Faraco
Por Faraco
21/08/2019 - 00h29 - Atualizada em: 21/08/2019 - 13h35
FOTO: ROGERIO MOROTI/ASSCOM DOURADO
FOTO: ROGERIO MOROTI/ASSCOM DOURADO

O WO aconteceu. Lamentável, no mínimo. A instituição Figueirense Futebol Clube e sua torcida receberam o duro golpe, que se imaginava evitável até instantes antes do horário do jogo em Cuiabá. É certamente a pior história, o pior episódio vivido pelo clube nestas últimas duas décadas. As responsabilidades recaem sobre muita gente, sobre muitos personagens da história recente e precisam ser assumidas. Os indícios estavam claros há algum tempo que isso poderia ocorrer. Os primeiros avisos vieram ainda na saída do ídolo Fernandes, mas foram ressaltados mais fortemente nos episódios que antecederam a saída de Hemerson Maria. Foram avisos fortes e que, parece, não foram ouvidos ou percebidos por quem comanda ou decide pelo futuro do clube.

O “Figueirense real” amargou o vergonhoso WO por conta da falta de capacidade de gestão, de condução, de diálogo da direção do “Figueirense LTDA”. Até certo ponto não há como condenar os atletas, que reclamavam o que é de direito deles, e que vem convivendo com promessas e promessas não cumpridas. Não há como relativizar atraso de salários. É um direito sagrado de todo trabalhador. Foi uma noite triste para o futebol do clube, para o futebol catarinense. O futebol, que é entretenimento na sua essência e esporte, viveu uma noite de decepções e frustrações, que não foram as esportivas, da disputa natural do campo.

Não é nada simples

O dia seguinte tem que ser de muita conversa, de muita discussão, de muita cobrança de gente grande assumindo responsabilidades e não repassando para terceiros. Não vai adiantar pensar que “a culpa é dos atletas”, como deixou mensagem a nota que foi publicada pela empresa no site do clube. Não, as responsabilidades são muito maiores. Os atletas tomaram a decisão deles, dentro daquilo que é direito deles. E para tocar o dia seguinte e conseguir que o futuro do Figueirense seja melhor do que o presente é preciso fazer uma análise muito mais profunda e dura. O limite já bateu à porta do Figueirense duas vezes.

Ele chegou pela primeira vez quando houve a ameaça de WO na partida contra o Vitória, quando Hemerson Maria saiu, quando foi assinado o termo de compromisso. Ele chegou novamente agora. O WO foi a linha do limite sendo cruzada pela segunda vez. Houve uma calmaria anterior com o tal termo de compromisso, só que durou pouco para que a tensão voltasse. E agora? O Figueirense vai esperar por um terceiro momento em que a linha perigosa de um novo limite seja cruzada novamente? Já escrevi e repito: não há mais crédito para a sequência deste projeto no clube. O Figueirense vive um caos interno, administrativo e esportivo. Precisa se resolver como instituição.

Exigência incorreta

O único reparo na conduta dos atletas foi a exigência da renúncia do presidente da empresa. Concordo com o tom crítico à conduta deste senhor que comanda a empresa parceira do Figueirense. É alguém que não foi a pessoa com a qual o Figueirense anunciou a parceria original, é alguém que não conhece a história do clube, que não conhece a cidade, que não conhece a torcida e que está mostrando não respeitar o Figueirense. Acontece que não cabe aos atletas o papel de pedir renúncia de presidente. Seja ela de empresa parceira, do clube, seja do Figueirense ou de qualquer outro clube. Este papel é dos conselheiros e dos poderes do clube, o que chamo de “Figueirense real”.

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Rodrigo Faraco

Colunista

Faraco

Jornalista e comentarista esportivo, sempre atento ao que acontece especialmente no futebol catarinense, faz análises e bastidores dos times do Estado.

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