143 mil estudantes tiraram nota zero na prova de Redação do Enem. E só 53 estudantes tiraram nota mil na prova do Enem. Os dois números dão bem a ideia da falência do nosso sistema de ensino.
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Evidentemente, se tantos milhares de jovens não consegue expor, com um mínimo de clareza, algumas poucas ideias num texto de 20 a 30 linhas, que dirá ele quando se defrontar com um recrutador para uma vaga de emprego? A linguagem utilizada diz muito sobre quem somos. Tanto individualmente, como cidadão isso reflete o estágio (in)civilizatório no qual estamos inseridos.
Não é por acaso que as indústrias e suas entidades representativas olham, perplexas, para a falta de capacidade cognitiva e de entendimento de um texto básico, quando milhões de brasileiros precisam afirmar seus conhecimentos diante de um psicólogo organizacional, a lhes escrutinar emoções e saberes.
O resultado do Enem é apenas um recorte agudo de uma sociedade doente, improdutiva, desinteressada e pouco afeita à leitura e ao estudo. Nas primeiras décadas do século passado "Macunaíma" nos mostrou o que éramos: uma Nação cujo legado era a preguiça, a indolência.
Alguém se arriscaria a dizer que evoluímos? O nosso atraso secular em relação a outros países – algo comprovado por reiterados testes que medem proficiência e competitividade em âmbito global, só se acentua.
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O mais grave é que muitos dos que não sabem interpretar um texto, ou não conseguem fazer uma conta de regra de três serão gestores daqui a alguns anos. Nas empresas e nos órgãos públicos.
Parodiando o a leitura das notas dos jurados do Carnaval: Zero! Nota Zero.
