O diagnóstico trazido por um dos maiores conhecedores das relações de trabalho do país é assustador. A Proposta de Emenda Constitucional (PEC) que acaba com a jornada 6×1, aprovada na última quarta-feira (27), pela Câmara dos Deputados, é um “desastre social”. A afirmação é do professor aposentado da USP, o sociólogo José Pastore.

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Em entrevista ao programa WW da CNN Brasil, o estudioso afirmou que a medida irá impactar não apenas quem faz a escala 6×1, mas todo o setor produtivo. Ele explicou que haverá o aumento da folha de salário de todo o setor formal em 10% com a saída das atuais 44 horas para 40 horas semanais.

Além disso, as empresas serão obrigadas a se ajustar,  e são quatro possibilidades:

1- Com o aumento de custo operacional na folha para conseguir fechar a escala de trabalho, o custo será repassado ao consumidor. Quem será prejudicado? O trabalhador.

2- Demitir quem ganha mais e contratar quem ganha menos. Os mais velhos serão mais prejudicados. Quem será prejudicado? O trabalhador. 

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3- Partir para a informalidade. Deixar uma parte CLT e outra parte pessoa jurídica, numa condição de trabalho com menos direitos, a chamada “precarização do trabalho”. Quem sai perdendo? O trabalhador.

4- Pode acelerar a automatização ou mudar o tamanho da empresa e da operação. Quem sai perdendo? O trabalhador.

Pastore diz que o provável ajuste que as empresas precisarão fazer “cairá nas costas dos trabalhadores e não dos parlamentares. Estes vão colocar, como sempre, a culpa nos outros: Na guerra do Irã, no governo Bolsonaro, em qualquer coisa”. 

“Vou manter salário, mas se o preço do supermercado sobe, não adianta nada. Se a tarifa de ônibus sobe, não adianta nada. O poder de compra cai”, afirmou.

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O advogado trabalhista Murilo Gouvêa dos Reis também vê o cenário com preocupação:

“Isso certamente será judicializado. Trata-se de uma violação da autonomia da negociação coletiva. Vai aumentar a precarização do trabalho com os novos contratos via pessoa jurídica. Além disso, a medida cria despesa sem fonte de receita, o que é inconstitucional”.