Não há consenso entre os empresários de Santa Catarina sobre a eficácia do “protocolo de intenções”, assinado no dis 26 de junho pelo Ministério dos Transportes, ANTT e Arteris, e que visa garantir os investimentos para o trecho Norte da BR-101, além das BRs 116 e 376. O documento é uma tentativa de avançar em pacto que garanta os investimentos necessários para uma rodovia já colapsada. 

Continua depois da publicidade

Na tratativa anterior, mediada pelo Tribunal de Contas da União (TCU), fracassou a negociação da chamada otimização de contrato com a Arteris de 2033 até 2048.

O caos da BR-101:

O novo documento, conforme informou o colega Jefferson Saavedra,  prevê R$ 15 bilhões de investimentos e a transferência de 67 km da BR-101 Norte para a concessão da BR-101 Sul, da Via Costeira/Motiva. A ideia é viabilizar a construção dos túneis duplos no Morro dos Cavalos, em Palhoça, e diluir a cobrança no pedágio em função do contrato que é mais longo da Motiva. 

Continua depois da publicidade

Em relação às obras adicionadas ao trecho Norte, da Arteris, existem duas possibilidades: dilatação do prazo do contrato ou elevação da tarifa.

— Parece piada, somos muito céticos. O que era otimização virou cooperação. É difícil acreditar que teremos avanços para o trecho norte dentro da concessão atual. As obras previstas são insuficientes. Ficamos dois anos discutindo a otimização —  diz Dagnor Schneider, presidente da Federação das Empresas de Transporte de Carga e Logística de Santa Catarina (Fetrancesc).

Continua depois da publicidade

Já a Fiesc, em nota, mostrou otimismo em relação aos “protocolo de intenções” da BR-101, mas cobra fiscalização e segurança jurídica.

Leia, na íntegra, a nota da Federação das Indústrias de Santa Catarina:

A FIESC avalia como extremamente positivo o protocolo de intenções, pois trata-se de mais uma tentativa de acordo para incluir investimentos (repactuação) na BR-101 Norte e BR-116 – com expectativa de R$ 15 bilhões de investimentos. Se bem-sucedida, essa alternativa permitirá a melhoria das condições do segmento Norte da BR-101 cuja segurança e trafegabilidade estão muito comprometidas, demandando medidas emergenciais.

Continua depois da publicidade

A FIESC defende que seja considerada a tecnicidade na proposição de obras do trecho Norte da BR-101, elencando aquelas que trazem melhor fluidez. Neste sentido, a entidade apresentou estudo realizado por especialista que pode ser considerado como referência.

Já sobre a BR 116, a expectativa da Federação é que sejam priorizadas terceiras faixas, ampliação de capacidade nas áreas urbanas e melhorias nos entroncamentos com outras rodovias.

Continua depois da publicidade

Na avaliação da FIESC, qualquer que seja a solução definida, ela deve garantir a segurança jurídica e a fiscalização. É fundamental garantir tanto o atendimento dos interesses dos usuários – com segurança e fluidez -, quanto da concessionária, que irá assumir os investimentos. Na repactuação proposta, a concessionária responsável será definida em leilão da Bolsa de Valores – B3.

Outro aspecto positivo sobre o protocolo é a continuidade nas negociações para a incorporação do Túnel do Morro dos Cavalos no segmento sob a concessão da empresa Motiva no Sul – inclusive incorporando o segmento entre o km 177 a 222 na Grande Florianópolis. Esta é uma alternativa defendida pela FIESC desde o início do debate, pois permite uma solução para este segmento, considerando a demanda substancial de investimentos no segmento no Norte, o que traria impactos relevantes se incorporados no trecho Norte.

Continua depois da publicidade