Por pouco, Florianópolis não viveu uma tragédia neste domingo (31). O empurra-empurra registrado durante um evento de música eletrônica realizado no fim da tarde, na Ponte Hercílio Luz, escancarou várias falhas graves: o evento foi subdimensionado, havia a realização do Ironman para dividir a mobilização das forças de segurança e o local para o show se mostrou inadequado.
Continua depois da publicidade
No mesmo dia, a capital catarinense sediou dois grandes eventos. De um lado, o já consagrado Ironman Brasil, que historicamente mobiliza órgãos públicos e altera a rotina urbana. De outro, um evento que se pensou que seria menor do que foi. O público superou as expectativas das autoridades e o resultado foi confusão em um espaço simbólico e sensível da cidade.
Não se trata de demonizar eventos culturais ou esportivos — eles são parte vital da economia e da identidade de Florianópolis. O ponto central é outro: faltou planejamento. Faltou leitura adequada de público e protocolos claros para situações de risco. Em locais com circulação restrita, como a ponte, esse tipo de erro não é aceitável.
Show de música eletrônica em Florianópolis deixa questionamentos
O que se viu neste domingo no fim de tarde e noite foi uma barbárie no trânsito e um risco enorme de uma tragédia com a multidão na Ponte Hercílio Luz e arredores.
As perguntas que ficam são inevitáveis e precisam de respostas objetivas do poder público:
Continua depois da publicidade
- O evento na Ponte Hercílio Luz foi corretamente planejado? Não. Por que ?
- A estimativa de público foi subestimada? Sim. Quem foi o responsável pelo erro de avaliação?
- A cidade comporta, com segurança, dois eventos de grande porte simultaneamente?
- Quais lições serão incorporadas para que isso não se repita?
O fato de ninguém ter morrido não pode ser tratado como sinal de sucesso. Foi um milagre, não um mérito. E governar cidades exige método, não fé de que vai dar certo. Planejamento urbano, gestão de riscos e coordenação entre secretarias não são detalhes burocráticos — são a diferença entre festa e tragédia.

Precisamos usar a inteligência de dados na projeção de cenários. Menos achismos e mais ciência de dados para definir se fazer, onde fazer, quando fazer e como fazer.
A cidade cresce em ritmo acelerado e demograficamente. É preciso profissionalismo e gestão eficiente para mitigar os efeitos inevitáveis dos grandes eventos.
Continua depois da publicidade






