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Entrevista

Raimundo Colombo: "Era uma coisa completamente absurda"

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Por Upiara Boschi
16/07/2018 - 15h32 - Atualizada em: 16/07/2018 - 15h43
O ex-governador era acusado de prometer facilitar a venda da Casn à JBS em troca de doações eleitorais. Foto: Diórgenes Pandini
O ex-governador era acusado de prometer facilitar a venda da Casn à JBS em troca de doações eleitorais. Foto: Diórgenes Pandini

O ex-governador Raimundo Colombo (PSD) está aliviado. Em breve entrevista, o pessedista falou sobre a decisão da Justiça de SC de arquivar o inquérito que investigava a delação premiada da JBS - em que o delator Ricardo Saud afirmava que a empresa fez doações eleitorais em troca de facilidades em uma futura venda da estatal Casan.

Há pouco mais de um ano o senhor convive com essa delação da JBS. Como recebe essa decisão pelo arquivamento?

É uma coisa que faz muito bem, porque foi muito sofrido. Tive que ser forte, ter bons amigos, para poder vencer essa situação. Graças a Deus se fez Justiça e eu reafirmo o que disse: não tinha nada. Eu não tive essa participação.

O senhor nunca falou sobre a Casan com a JBS?

Nunca. O que a Justiça decidiu, eu reafirmo. É a pura verdade.

As delações da JBS relacionando doações da campanha ao interesse na compra da Casan surgiram dois meses depois das delações da Odebrecht que tratavam do mesmo tema. Embora o senhor sempre tenha negado o conteúdo de ambas as delações, era perceptível que o caso JBS lhe causava indignação maior. O que diferencia?

É maior, de fato. Os outros caras (executivos da Odebrecht) estiveram aqui. Esse cara (Ricardo Saud, ex-executivo da JBS) nunca falou comigo, era uma coisa completamente absurda, fora de propósito. Ele deve ter inventado na hora. Lembrou da outra (delação da Odebrecht) e se botou ali. Uma coisa muito injusta.

O senhor pretende processar o delator?

Eu nem sei, tem que falar com os meus advogados para ver o que fazer. Eu não falei ainda.

O caso da Odebrecht ainda tramita na Justiça Eleitoral, com a denúncia de caixa 2. O senhor tem tranquilidade em relação a esse caso também?

Tenho tranquilidade absoluta. Tenho certeza de que o final vai ser o mesmo.

Como o senhor avalia o desgaste desse episódio, mesmo com o arquivamento?

O Brasil tem que vencer essa fase. Muita coisa tinha que mudar e isso veio da pior forma possível. Mas, mesmo assim, esse ambiente, essa mudança, contribui. Eu quero esclarecer, mas não contesto o fato de o Brasil querer passar essa situação a limpo. Acho que tem que colaborar. É bom para a cidadania, para o futuro do Brasil, para a prática política. Por mais dura, por maior sofrimento que ela cause, a gente tem que apoiar (a Operação Lava-Jato). Eu não faço um movimento de contestação, nem contra a imprensa. A imprensa não inventou. Uma pessoa foi lá e inventou. Ela tem um rosto, ela tem um nome. Ninguém consegue ignorar isso. Também não faço nada contra a Justiça, porque a situação é a mesma. Está ficando claro que existem muitos descuidos em que se permite jogar isso tudo e depois para trazer isso de volta limpo é muito difícil. Mas a verdade é que se isso não acontecer, o Brasil também não muda.

O senhor vai enfrentar uma campanha eleitoral agora. Como encara a impressão de boa parte da opinião pública de que processo arquivado é impunidade?

Aí não faz sentido. Se quando acusam sem prova você já é condenado e quando te absolvem não vale, aí não dá, né?

Mas o senhor sabe que mesmo com o arquivamento terá que enfrentar esse desgaste?

O desgaste já foi feito. A vida da gente passa por um teste, a saúde da gente, tudo fica difícil.

Pensou em deixar a política?

Na época fiquei muito magoado, mas acho que a covardia é o pior dos sentimentos na vida pública. Tinha que enfrentar, eu não tinha como resgatar a minha dignidade se não enfrentasse.

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