Arthur Brooks, professor de Harvard: “As pessoas mais felizes são aquelas que nunca param de aprender” – o motivo importa mais que o hábito

Há uma diferença enorme entre apenas consumir informação e aprender e o professor ressalta como o interesse é uma emoção positiva

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Arthur C. Brooks speaking with attendees at an event titled "The Conservative Heart: How to Build a Fairer, Happier, and More Prosperous America" hosted by the ASU Center for Political Thought & Leadership at the Desert Botanical Garden in Phoenix, Arizona.

Arthur C. Brooks leciona na Harvard Kennedy School e na Harvard Business School e escreve sobre felicidade e bem-estar. (Foto: Gage Skidmore from Peoria, AZ, United States of America, Wikimedia Commons)

Poucas recomendações sobre bem-estar são tão fáceis de aceitar quanto esta de Arthur C. Brooks, e é justamente aí que mora o problema. Dizer que gente feliz continua aprendendo soa razoável, cabe em qualquer contexto e não obriga ninguém a mudar nada. A formulação completa exige mais. Ela vem com uma condição, e a condição desqualifica boa parte do que as pessoas chamam de continuar aprendendo.

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Arthur C. Brooks é professor da Harvard Kennedy School e da Harvard Business School e estuda felicidade e bem-estar há mais de uma década. A observação dele não trata de escolaridade nem de qualificação profissional. Trata de uma disposição mental que pode existir ou não existir em qualquer atividade, inclusive nas que não têm nada de acadêmico.

As pessoas mais felizes são aquelas que nunca param de aprender. Elas fazem isso não por obrigação, mas por curiosidade.

A segunda frase é o filtro. Ela separa dois comportamentos que produzem exatamente a mesma cena e efeitos opostos. Alguém que faz uma pós-graduação para não ficar para trás no mercado está aprendendo por obrigação. Alguém que passa dois meses tentando entender como funciona um motor, sem que isso sirva para nada, está aprendendo por curiosidade. Do lado de fora, os dois estudam. Por dentro, um está cumprindo tarefa e o outro está sendo puxado por alguma coisa.

O mecanismo tem nome no vocabulário da psicologia das emoções, e Brooks trabalha com ele. A curiosidade desperta interesse, e o interesse é classificado na literatura como uma emoção positiva, e não apenas como um traço de personalidade. Ele dirige a atenção, aumenta o envolvimento com o que está sendo feito e prolonga a permanência na atividade. Nesse arranjo, a busca já é parte da recompensa, e não apenas um custo pago antes dela.

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Vale registrar também o que a frase não afirma. Ela não diz que basta estudar para ser feliz, e Brooks é dos pesquisadores que mais insistem que bem-estar depende de um conjunto amplo de fatores, entre eles vínculos, saúde, condições materiais e propósito. A curiosidade entra como uma peça desse conjunto, não como substituta dele. Também não estabelece limite de idade nem exige ambiente formal. Aprender a cuidar de plantas, entender a história do bairro onde se mora ou destrinchar o funcionamento de uma ferramenta doméstica cabem na descrição tanto quanto um curso.

E há uma distinção final que a formulação implica sem dizer. Consumir informação não é a mesma coisa que aprender. Horas de vídeo e de rolagem de tela podem passar sem que nada mude na forma como alguém enxerga ou faz algo. O que a frase descreve envolve atrito: tentar entender, praticar, errar, perguntar a quem sabe mais. É mais trabalhoso que consumir, e é a diferença entre os dois que a segunda parte da frase está protegendo.

Veja também a frase do dia da Psicologia: “Não podemos dar às pessoas o que não temos” – o ensinamento de Brené Brown que explica por que tanto conselho não funciona.

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*Material feito com ajuda da inteligência artificial e revisado por jornalistas.