Arthur Schopenhauer, filósofo alemão: “Os amigos se dizem sinceros; sinceros são os inimigos”

Por que Schopenhauer dizia que a crítica do inimigo é um remédio amargo

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Arthur Schopenhauer, filósofo alemão frase

O conselho de Schopenhauer sobre críticas que a internet corta pela metade. (Foto: Reprodução)

“Os amigos se dizem sinceros; sinceros são os inimigos.” A frase de Arthur Schopenhauer circula amplamente em redes sociais e costuma aparecer exatamente assim, encerrada no ponto final. O problema é que o filósofo alemão não parou aí.

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No texto original, a máxima continua: “por isso devemos usar a censura deles para o autoconhecimento, como um remédio amargo”. É a segunda metade que transforma a frase de observação cínica sobre a amizade em conselho prático.

Onde a frase aparece

O trecho está em Parerga e Paralipômena, obra publicada em 1851, no conjunto conhecido como Aforismos para a Sabedoria de Vida. Mais precisamente, no capítulo 5, chamado Parênesis e Máximas, no item 33.

Esse capítulo é o mais direto de toda a obra do filósofo. Em vez de desenvolver argumentos longos, ele reúne conselhos curtos sobre como conduzir a vida, da administração do dinheiro ao trato com as pessoas.

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O que o argumento propõe

A tese é simples e desconfortável. Quem nos quer bem tende a suavizar, a calar defeitos e a evitar o atrito. Quem nos quer mal não tem esse freio e, por isso, costuma dizer em voz alta aquilo que os outros percebem e guardam.

Daí a conclusão: a crítica do inimigo não deve ser descartada só porque vem carregada de má intenção. Ela pode conter informação verdadeira sobre falhas que ninguém mais teria coragem de apontar.

A comparação com o remédio amargo é precisa quanto ao custo disso. Schopenhauer não diz que ouvir o adversário é agradável, nem que ele está certo em tudo. Diz que o desconforto é o preço de uma informação difícil de obter de outra forma.

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O contexto do capítulo

Em outros pontos do mesmo texto, o filósofo completa o raciocínio. Ele observa que, para nos corrigirmos, precisamos de um espelho, e trata o julgamento alheio como uma espécie de superfície em que enxergamos aquilo que não vemos sozinhos.

Isso não significa que ele defendesse viver em função da opinião dos outros. Pelo contrário: em capítulo anterior da mesma obra, Schopenhauer critica duramente a preocupação com aquilo que a pessoa representa aos olhos alheios, que considera uma das maiores fontes de infelicidade.

A posição dele, portanto, não é contraditória, e sim específica. Ligar a própria felicidade à opinião dos outros é erro; extrair informação útil de uma crítica, inclusive hostil, é inteligência prática.

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A frase truncada funciona melhor como legenda de rede social. Ela confirma uma suspeita comum, a de que amigos mentem por conveniência, e não cobra nada de quem compartilha.

Já a versão completa cobra bastante: exige ouvir o desafeto, levar a sério o que ele disse e considerar que pode haver verdade ali. É um conselho muito mais difícil de aplicar do que de repostar.

Onde ler

O texto está em Parerga e Paralipômena, volume 1, capítulo 5 dos Aforismos para a Sabedoria de Vida. A edição brasileira mais acessível é Aforismos para a Sabedoria de Vida, com tradução de Jair Barboza, publicada pela Editora WMF Martins Fontes.

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Veja outra frase de Arthur Schopenhauer, filósofo alemão: “A solidão é o destino de todos os espíritos eminentes”; a frase é dele, mas falta a segunda metade

*Texto produzido com ajuda da IA e revisado por Jornalistas.