Com dificuldade para pagar aluguel hoje, a Geração Z deve se tornar a geração de maior renda do mundo até 2035; veja o que sustenta a projeção

Entenda o que o relatório do Bank of America projeta para a renda da Geração Z, o que é a Grande Transferência de Riqueza e por que tudo isso é estimativa

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Estudo aponta que bilhões em riquezas devem passar das gerações mais velhas para as mais novas até 2045 (Foto: Pexels)

Estudo aponta que bilhões em riquezas devem passar das gerações mais velhas para as mais novas até 2045 (Foto: Pexels)

Aluguel alto, custo de vida pesado e dificuldade para comprar um imóvel formam a paisagem financeira de boa parte da Geração Z, nascida entre 1997 e 2012. Um relatório do Bank of America Institute publicado em março de 2025 projeta que esse mesmo grupo se torne, na década seguinte, a geração de maior renda do mundo.

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A projeção não trata de patrimônio acumulado, e essa distinção importa. O que o banco mede é renda: quanto a geração ganha por ano, somando todos os seus integrantes no mundo. É possível ter renda alta e patrimônio baixo, que é justamente o retrato do presente descrito no próprio estudo.

Os números da projeção

Em 2023, a renda global da Geração Z somava cerca de US$ 9 trilhões. O relatório estima que o valor chegue a US$ 36 trilhões por volta de 2030 e a US$ 74 trilhões perto de 2040.

O documento também projeta que, até 2035, a Geração Z represente aproximadamente 30% da população mundial, o que a tornaria a maior e a de maior renda entre as gerações vivas.

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O consumo acompanha o movimento. O gasto global da geração era de US$ 2,7 trilhões em 2024 e deve alcançar US$ 12,6 trilhões até 2030, segundo as mesmas projeções.

Um dado do presente ajuda a explicar a curva: com base em dados de contas e cartões do próprio banco, o estudo apontou crescimento de cerca de 8% na renda da Geração Z em fevereiro de 2025 na comparação anual, o maior entre todas as gerações e cerca do dobro da mediana geral. Parte disso se deve simplesmente à entrada dessa faixa etária no mercado de trabalho em tempo integral.

O que é a Grande Transferência de Riqueza

O segundo motor da projeção não é do Bank of America. A chamada Grande Transferência de Riqueza vem de estimativas da consultoria americana Cerulli Associates, citadas no relatório.

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O cálculo de 2021 apontava US$ 84 trilhões passando das gerações mais velhas para as mais novas até 2045, sobretudo por herança. A consultoria depois revisou o número para cerca de US$ 124 trilhões até 2048, dos quais aproximadamente US$ 106 trilhões iriam para herdeiros e o restante para instituições filantrópicas.

A Geração Z não é a principal beneficiada. Pelas estimativas da Cerulli, a Geração X deve herdar cerca de US$ 39 trilhões até 2048 e os millennials, cerca de US$ 46 trilhões no período de 25 anos. Para a Geração Z, a projeção é de aproximadamente US$ 15 trilhões no mesmo intervalo.

Uma pesquisa citada no relatório indica ainda que 38% da Geração Z esperam receber alguma herança. O dado mede expectativa dos entrevistados, não a probabilidade de que isso aconteça.

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O que a projeção não diz

Três limites merecem atenção antes de tomar os números como retrato do futuro.

O primeiro é que se trata de valores nominais. Comparar a renda de 2023 com a de 2040 sem correção pela inflação torna o crescimento parcialmente automático, porque o dinheiro do futuro vale menos que o de hoje.

O segundo é a base de dados. Boa parte do material vem de transações de clientes do Bank of America, ou seja, de consumidores americanos. As projeções de renda são globais, mas o comportamento descrito no estudo é sobretudo o do consumidor dos Estados Unidos.

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O terceiro é a natureza das heranças. A transferência é altamente concentrada: a maior parte do patrimônio pertence a uma fatia pequena das famílias, o que significa que a média por geração não descreve a experiência da maioria. Projeções de décadas também dependem de variáveis que mudam, como valor dos ativos, expectativa de vida e ritmo de gastos.

E no Brasil

Não há, até o momento, estudo equivalente que projete a renda da Geração Z brasileira nesses mesmos termos. As cifras acima descrevem um cenário global e não devem ser lidas como previsão do que acontecerá com um jovem brasileiro.