Frase do dia da Psicologia: “Devemos amar com todo nosso coração, mesmo que não haja garantias. Isso não nos torna vulneráveis, nos torna vivos” – reflexão de Brené Brown sobre amor

A versão que circula nas redes inverte o argumento dela em quatro palavras: onde a pesquisadora diz que se sentir vulnerável é sinal de estar vivo, o card diz que amar não nos torna vulneráveis

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Retrato de Brené Brown em palestra ou evento público. frase

Brené Brown apresentou no TEDxHouston, em 2010, uma das palestras mais assistidas da história do evento. (Foto: Reprodução)

Existe um cálculo silencioso que aparece antes de qualquer vínculo importante. A pessoa está prestes a dizer que ama, a aceitar um convite que importa, a apresentar um projeto em que acredita. E, no segundo antes, faz a conta: e se não der certo. A conta nunca fecha, porque nunca existe informação suficiente para fechá-la. O que ela produz, na prática, é adiamento.

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Brené Brown pesquisa vergonha e vulnerabilidade há mais de duas décadas, e a conclusão dela contraria o senso comum sobre proteção. Para Brown, não existe versão da vida em que alguém se vincule de verdade e permaneça a salvo. A exposição não é o preço que se paga pelo vínculo. Ela é o vínculo.

Deixar que nos vejam, profundamente, de forma vulnerável; amar de todo o coração, mesmo que não haja garantia; praticar gratidão e alegria naqueles momentos de terror, quando nos perguntamos se somos capazes de amar tanto assim. E conseguir parar e dizer: sou grato, porque me sentir tão vulnerável significa que estou vivo.

A formulação encontra terreno fértil agora. Nos aplicativos de relacionamento, onde a abundância de opções vira argumento para não escolher nenhuma. No trabalho, em quem não apresenta a ideia para não ser associado ao fracasso dela. Na amizade adulta, em que ninguém quer ser o primeiro a demonstrar que se importa mais. Em todos esses casos a estratégia funciona: protege da decepção. E cobra o vínculo inteiro como pagamento.

O trecho é o encerramento da palestra que Brown apresentou no TEDxHouston, em 2010, e que se tornou uma das mais assistidas da história do evento. Vale registrar uma distorção que circula em português. Uma versão adaptada afirma que amar sem garantias não nos torna vulneráveis, e sim vivos. Brown diz precisamente o contrário. Na formulação dela, é sentir-se vulnerável que significa estar vivo. A palavra não é o obstáculo a ser contornado no caminho da coragem. É o conteúdo da experiência.

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A frase não é convite a se expor sem critério. Brown recusa a ideia de que vulnerabilidade seja contar tudo para qualquer pessoa, e trata isso como o oposto do que descreve. Em outro trabalho, ela sugere perguntar quem conquistou o direito de ouvir determinada história, o que já pressupõe seleção. Também não é promessa de retorno: a própria pesquisa dela associa a exposição a risco real e a dor frequente, e o argumento é que vale a pena assim mesmo, não que compensa sempre. Quando a dificuldade de se vincular vira sofrimento persistente, o apoio de um profissional de saúde mental é o caminho.

Vale reparar no que você faz no segundo antes. Quase todo mundo faz a conta. O que varia entre as pessoas é quem decide agir sem esperar que ela feche.

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