“Hobby dos reis”: quem são os cinco numismatas pioneiros de Joinville

A numismática, atividade com longo histórico em Joinville, é a ciência que se dedica ao estudo de moedas, medalhas e outros objetos monetários

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hobby dos reis: a nuismática em joinville

Cidade do Norte de SC teve cinco pioneiros na numismática (Foto: Divulgação, SNJ)

Na antiguidade, colecionar moedas raras e de alto valor era um hobby em comum entre reis. Atualmente, a ciência que se dedica ao estudo e colecionismo destes objetos, incluindo medalhas e outros objetos monetários, é conhecida como numismática. Em Joinville, no Norte catarinense, cinco pioneiros enraizaram a atividade na cultura local.

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O movimento ganhou força, em Joinville, no ano de 1946, quando uma sessão numismática foi criada dentro da Associação Filatélica, fundada um ano antes, que neste caso, se dedicava à coleção e estudo sobre selos. O evento aconteceu em  21 de julho de 1946, em um dos locais mais tradicionais de Joinville, a Harmonia Lyra. Alfredo Ernesto Boehm foi o primeiro numismata e o diretor da sessão dentro da Associação.

Veja fotos dos cincos numismatas pioneiros de Joinville

Quem foram os cinco pioneiros que impulsionam o “hobby dos reis” em Joinville

Alfredo Ernesto Boehm

Conhecido como o pai da numismática joinvilense, foi o primeiro diretor da Seção Numismática da Associação Filatélica de Joinville (AFJ)  de 1946 a 1986. Carinhosamente apelidado de “Alfredinho”, nasceu em Joinville em 29 de abril de 1915. 

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Neto de imigrantes prussianos e suíços, foi uma figura emblemática para a maior cidade de Santa Catarina. Sua vida esteve ligada ao imponente casarão na esquina das ruas Doutor João Colin e 9 de Março, que já foi sede das lojas Apollo Calçados no Centro de Joinville.

Segundo a Sociedade Numismática de Joinville (SNJ), no térreo deste prédio, construído em 1927 e declarado de utilidade pública em 1978, funcionava o armazém Boehm & Cia, o tradicional comércio de secos e molhados da família. Alfredinho ficou popularmente conhecido como “o fogueteiro” por sua especialidade em fogos de artifício na virada do ano.

“Culto e apreciador das artes, ele era um ávido colecionador, com vastos acervos de xícaras, selos e, principalmente, moedas”, afirma a sociedade. A paixão pela numismática foi o motor para a institucionalização do colecionismo em Joinville.

Plácido Olímpio de Oliveira

Conhecido no meio das moedas raras como o “prefeito numismata”, Plácido também foi diretor da Seção Numismática da AFJ de 1955 a 1956. Ele nasceu em Campo Alegre, em 5 de outubro de 1900, e, além de político, também foi advogado e escritor.

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Após se mudar para a maior cidade de Santa Catarina, Plácido foi nomeado prefeito de 1930 a 1933. Ele é considerado “intelectual de grande perspicácia e expressiva produção na área da história”, conforme descreve a Academia Joinvilense de Letras (AJL).

Plácido foi um dos fundadores da AFJ em 1945 e expositor na histórica “1ª Exposição Numismática de Joinville” no ano seguinte. Mais importante, ele foi o responsável por fundar a Seção Numismática dentro da AFJ naquele mesmo ano, consolidando o movimento.

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Herbert Zimath

Conhecido como o “patriarca”, Zimath nasceu em Joinville em 1923, filho de Erich Zimath e Paula Romanus. Sua família habitou o casarão de esquina na Rua 9 de Março com a Rua Visconde de Taunay, onde hoje fica a Praça da Bailarina, em frente ao Casarão Apollo, residência da família do seu colega e também pioneiro Alfredo Boehm.

A família Zimath destacou-se no comércio joinvilense com a fundação do Açougue Zimath na década de 1930. O sucesso do empreendimento no ramo de carnes levou Zimath a fundar a Associação de Açougueiros de Joinville, um feito que centralizou o fornecimento de carnes bovinas e suínas e embutidos para toda a cidade, segundo a SNJ.

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Herbert foi vice-presidente da Associação Comercial Industrial de Joinville (Acij) entre 1962 e 1964, tendo assumido a presidência interina por 4 meses, substituindo Hans Peter Stein.

Paralelamente à sua vida empresarial, Herbert Zimath cultivou um profundo interesse pelo colecionismo. Sendo filatelista e numismata, ele foi um dos fundadores da Associação Filatélica de Joinville (AFJ) em 1945 e um dos cinco fundadores da Seção Numismática em 1946. 

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Lorenz G. Heinzelmann

Neto de Felix Heinzelmann e Emílio Stock, Lourenço, como era chamado, foi um fervoroso admirador e promotor do associativismo e dos clubes da cidade. 

Entre as décadas de 1930 e 1940, foi associado e jogador do Guarany Basquete Clube, diretor do clube dos Escoteiros de Joinville, fundador e diretor do Moto Clube de Joinville, além de ter participado da diretoria da Associação Comercial Industrial de Joinville (Acij) após assumir a loja do avô materno, a Stock & Cia.

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Heinzelmann foi um dos fundadores da AFJ e também da Secção Numismática, participando ativamente como um dos expositores na mostra pioneira de julho. Lorenz Gerhard Heinzelmann foi uma figura essencial na estruturação da cultura colecionista de Joinville, segundo a SNJ.

Bruno Herkenhoff

Bruno Heinrich Franz Herkenhoff, carinhosamente apelidado de “Bibe”, era um fotógrafo que pertencia a uma notável família joinvilense de origem saxônica, filho de imigrantes e irmão das historiadoras Ana Rosa e Elly Herkenhoff.

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A família tinha forte ligação com a área central da cidade, pois morou no cruzamento da Rua 9 de Março com a Rua Doutor João Colin, em frente às residências dos também pioneiros Boehm e Zimath, em uma casa que não existe mais.

Embora fosse conhecido na esfera pública por sua candidatura a vereador na década de 1950, a atuação de Bruno se destacou principalmente no associativismo cultural. Bibe foi fundador e frequentador assíduo da associação filatélica do município.

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O que diferencia um colecionador de um numismata

Todo numismata pode ser considerado colecionador, mas nem todo colecionador se encaixa no perfil de um numismata. Gabriel Amaral Lourenço, presidente fundador da SNJ, explica que a principal diferença está na institucionalização e área de pesquisa. 

Veja fotos de moedas colecionáveis que já passaram por Joinville

Quem atua em uma sociedade numismática vai além do ato de colecionar moedas, também se dedica à pesquisa e ao campo científico, envolvendo História por exemplo, assim como questões econômicas e outros estudos de aprofundamento.

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— O numismata é mais engajado na questão de pesquisa e no associativismo — afirma.

Segundo Amaral, qualquer pessoa pode entrar no universo numismático. A própria SNJ, inclusive, tem uma sessão júnior, que incentiva a prática para quem ainda está começando a se interessar pelas moedas.

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*Sob supervisão de Leandro Ferreira