“Nunca participei de prova tão difícil”: brasileira relata como foi correr 134 km em 35 horas no Canadá

Criadora de conteúdo Bruna Ianhez enfrentou 35 horas consecutivas de atividade física na Québec Mega Trail

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Bruna usou redes sociais para registrar bastidores da corrida, realizada no último final de semana (Foto: Redes Sociais, Reprodução)

Duas noites seguidas sem dormir, bolhas nos pés, perda estimada de 17 mil calorias e alucinações visuais pelo caminho. Esse foi o cenário enfrentado pela influenciadora digital e ultramaratonista brasileira Bruna Ianhez durante a Québec Mega Trail (QMT), uma das provas de corrida em trilha mais desafiadoras do Canadá.

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Em relato publicado nas redes sociais após concluir o percurso de 134 quilômetros — que seu relógio marcou como 139 km —, a atleta detalhou os momentos de pânico e exaustão extrema causados pela privação de sono.

“Essa foi a parte que eu mais senti medo durante a prova. Não foi do urso, não foi do escuro”, afirmou Bruna, que acumula 2,5 milhões de seguidores em seu perfil. Segundo a corredora, o esgotamento mental após passar mais de 30 horas acordada gerou distorções na realidade.

“Eu comecei a ter alucinação. Eu via rostos em pedras, mas rostos meio deformados. Eu via imagens distorcidas. Eu vi um tronco de árvore [e pensava]: ‘Nossa, parece uma mulher me olhando’. Aí eu chegava perto e via que era um tronco”, relatou em vídeo nas redes sociais.

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Delírios no escuro e percurso

A atleta explicou que a impossibilidade de dormir se deveu à dinâmica da própria prova, que, embora houvesse postos de controle a cada 15 ou 20 quilômetros, o barulho intenso nos locais e a preocupação com o tempo limite para não ser desclassificada impediram o descanso.

A partir do quilômetro 100, Bruna passou a contar com o acompanhamento de um pacer — um corredor de apoio permitido pela organização —, função desempenhada por seu profissional de captação de imagens. Mesmo acompanhada e utilizando iluminação, as alucinações persistiram no período noturno.

“A gente foi passar embaixo de um tronco de árvore que estava cruzando o caminho. Eu falei: ‘Pera aí que o tronco tá descendo’. Eu vi o tronco descendo, mexendo, como se ele tivesse descendo pro chão”, relatou Bruna. Na ocasião, o pacer a alertou de que ela estava parada e ela percebeu que o movimento da árvore era apenas uma ilusão provocada pelo cansaço.

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Além do desgaste psicológico, as condições geográficas da prova foram classificadas pela corredora como as mais difíceis de sua trajetória.

“A maior dificuldade da prova foi o percurso. Eu nunca participei de uma prova tão difícil na minha vida. Tecnicamente falando, tinha muita raiz no chão, muita pedra, muita lama. Então você não consegue deslanchar. É uma prova amarrada”. O ritmo lento e as oscilações de GPS em curvas abertas justificam a diferença de quilometragem registrada pelo relógio da atleta em relação ao mapa oficial do evento.

Logística e saúde

O planejamento nutricional também precisou ser adaptado ao longo das 35 horas, com Bruna relatando que, após o quilômetro 40, o organismo passou a rejeitar os suplementos em gel e alimentos pastosos previstos por sua equipe de nutrição. A sustentação calórica foi mantida por meio de alimentos sólidos, como batata e arroz, disponibilizados pela organização do evento nos postos de apoio.

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Bolhas nos dedos dos pés também dificultaram a manutenção do ritmo de corrida na reta final do desafio.

Diferente dos atletas profissionais, que completam o circuito em menos de 20 horas focados exclusivamente na performance competitiva, Bruna ressaltou que seu objetivo principal era concluir a prova conciliando a produção de conteúdo para plataformas como Instagram, TikTok e YouTube. “Putz, eu tô ali para me divertir, eu tô ali para me desafiar, eu tô ali para trabalhar minha cabeça, os meus medos”, finalizou.