Karl Lagerfeld, icônico estilista que foi diretor criativo de grifes como Chanel e Fendi, defendia que preço alto e elegância não eram necessariamente sinônimos. Para o estilista, que faleceu em 2019, era possível estar extremamente chique até mesmo usando camiseta e jeans.
A ideia continua atual em um cenário em que fast fashion, brechós e marcas populares oferecem peças inspiradas nas principais tendências. Mas, afinal, o que faz uma roupa parecer sofisticada independentemente do preço?
A frase icônica de Karl Lagerfeld sobre roupas baratas
Nunca use a palavra ‘barato’. Hoje todo mundo pode parecer chique com roupas baratas (os ricos também as compram). Hoje existe um bom design de roupas em todos os níveis. Você pode ser a coisa mais chique do mundo em uma camiseta e jeans — só depende de você.
Como se vestir com elegância sem gastar muito dinheiro?
Prioze o caimento
O preço da peça importa menos visualmente do que a maneira como ela se ajusta ao corpo. Uma calça simples com a barra no comprimento certo e a cintura bem posicionada pode transmitir mais refinamento do que uma peça de grife que sobra, repuxa ou cria volumes onde não deveria.
No caso de blazers, camisas e casacos, observe principalmente os ombros. A costura deve acompanhar o final do ombro, a menos que a modelagem seja propositalmente oversized. Mangas excessivamente compridas também podem dar a impressão de que a roupa não pertence a quem está usando.
Nas calças, vale prestar atenção à cintura, ao gancho e à barra. Se o tecido acumula demais sobre o sapato ou a cintura cria várias dobras, pequenos ajustes de alfaiataria podem transformar completamente a peça.
Já em camisetas e camisas, veja se a gola mantém o formato, se os botões não ficam repuxando e se existe equilíbrio entre comprimento e largura.
Isso também significa não se prender ao número da etiqueta. Dependendo da marca e da modelagem, experimentar um tamanho acima ou abaixo pode resultar em um caimento muito melhor.
Observe o tecido e, principalmente, o acabamento
Uma peça acessível não precisa necessariamente parecer barata. Antes de comprar, vale olhar a roupa de perto e até pelo avesso. Observe se as costuras estão retas e regulares, se existem fios soltos, se a bainha está bem feita e se os dois lados da peça são simétricos. Em estampas geométricas, listras e xadrezes, repare também no encontro do desenho nas costuras.
Outro ponto são os botões, zíperes e aplicações. Botões frágeis ou muito brilhantes, zíperes que ondulam o tecido e pedrarias mal aplicadas podem comprometer a aparência da roupa. Às vezes, uma simples troca de botões já muda bastante uma camisa, cardigan ou blazer.
O tecido merece atenção especial. Não existe uma regra de que fibras naturais sempre parecem caras e sintéticas sempre parecem baratas. O importante é analisar toque, peso, movimento e aparência. Tecidos muito finos, transparentes sem intenção, excessivamente brilhantes ou que formam bolinhas rapidamente tendem a envelhecer pior.
Um teste simples no provador é observar a peça sob uma iluminação forte, movimentar o tecido e amassá-lo levemente com a mão para ver como ele reage.
Cuidado com estampas, aplicações e excesso de detalhes
Quanto mais elementos uma peça possui, mais oportunidades existem para um acabamento ruim aparecer. Uma camiseta branca simples, por exemplo, depende principalmente de tecido, corte e acabamento. Já uma blusa com estampa, bordado, pedraria, renda, botões decorativos e aplicações exige que todos esses elementos tenham boa execução.
Isso não significa que um look sofisticado precise ser minimalista. Maximalismo também pode parecer extremamente refinado. A diferença está na intencionalidade.
Se a ideia é facilitar a construção de um guarda-roupa elegante gastando menos, entretanto, peças visualmente mais limpas são um caminho seguro: camisa branca, camiseta de boa gramatura, calça de alfaiataria, jeans de lavagem uniforme, saia reta, blazer e tricôs simples, por exemplo.
Nas estampas, vale observar principalmente qualidade da impressão, repetição do desenho e combinação de cores. Uma estampa bem executada pode valorizar uma peça acessível tanto quanto uma estampa ruim pode prejudicá-la.
Use as cores para criar unidade no look
Uma das maneiras mais simples de deixar uma produção visualmente coesa é reduzir a quantidade de cores competindo pela atenção. O look monocromático é o exemplo mais evidente: usar diferentes peças da mesma cor cria uma linha visual contínua. E não precisa significar vestir exatamente o mesmo tom dos pés à cabeça. Bege, areia, creme e marrom-claro, por exemplo, podem formar uma composição harmoniosa.
É aí que entra também o tom sobre tom, que combina diferentes tonalidades da mesma família. Azul-marinho com azul-claro ou chocolate com caramelo são exemplos.
Outra possibilidade é escolher duas cores principais e repetir uma delas nos acessórios. Jeans azul, camiseta branca, cinto preto e sapato preto, por exemplo, têm uma lógica visual bastante simples.
E não é necessário limitar-se aos neutros. Vermelho, amarelo, verde ou azul intenso podem produzir looks sofisticados. O segredo está menos em usar apenas bege, preto e branco e mais em fazer com que as cores pareçam uma escolha deliberada, em vez de elementos desconectados.
Finalização pode mudar completamente roupas básicas
É provavelmente o ponto que mais conversa com a frase de Karl Lagerfeld. Camiseta e jeans podem parecer extremamente diferentes dependendo de como são apresentados.
Imagine uma camiseta branca e uma calça jeans reta. Uma possibilidade é acrescentar cinto, mocassim, brincos e bolsa estruturada. Outra é colocar a camiseta parcialmente por dentro da calça, dobrar as mangas e combinar com sapatilha e relógio. As roupas principais continuam praticamente as mesmas, mas a leitura visual muda.
A conservação também pesa bastante. Sapatos limpos, roupas sem bolinhas, peças passadas e bolsas bem conservadas fazem diferença. Uma roupa cara amassada ou desgastada não necessariamente transmite mais sofisticação que uma peça popular bem cuidada.
Os acessórios ajudam a criar essa sensação de intencionalidade. Não precisam ser joias ou bolsas caras: óculos, brincos, lenço, relógio, cinto ou uma bolsa de formato estruturado podem funcionar como ponto de acabamento.
Até pequenos truques de styling entram nisso: dobrar a manga de uma camisa, colocar apenas a parte frontal da blusa dentro da calça, deixar alguns botões abertos, marcar a cintura ou sobrepor uma terceira peça.





