Sapatos Tabi: item polêmico estilo “pata de camelo” carrega história surpreendente e não é tendência nova

Tabis nasceram no Japão do século XV

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Sapatos Tabi: item polêmico estilo "pata de camelo" carrega história surpreendente e não é tendência nova

Peça caiu no gosto das fashionistas, mas é muito mais que um sapato diferentão (Fotos: @anaibarros | @4tothe9 | @verogualdani)

Ame ou odeie, os Tabis não vão a lugar nenhum. Pelo menos, não por algum tempo. É que por mais que pareça, os sapatos estilo “pata de camelo”, com uma divisão entre o dedão e o restante dos dedos do pé, não é coisa de agora. Na verdade, ele tem origem no Japão do século XV, a mesma tradição que originou as Havaianas e outros chinelos famosos. Controversa, a tendência das tabis ganhou as redes sociais, as passarelas, o gosto das celebridades e virou assunto entre quem se interessa pela moda.

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De onde surgiram os sapatos tabis?

Apesar de partirem da mesma inspiração japonesa, o Tabi e as Havaianas têm uma leve distinção. No Japão do século XV, os moradores usavam meias com os dedos separados (as chamadas tabis) para calçar os sapatos como zori e geta (inspiração dos chinelos de dedo de hoje em dia). Ou seja: as tabis não eram sapatos, e sim meias.

Na época, segundo a Teen Vogue, acreditava-se que o formato promovia o equilíbrio de quem usava as meias. Elas eram feitas de diversos tecidos, incluindo algodão.

Elas se mantiveram amplamente disponíveis no Japão por muitos anos, mas foram evoluindo para modelos mais parecidos com sapatos, chamado jika-tabi, que podem ser traduzidos para “calçados de trabalho com bico dividido”. Eles tinham sola emborrachada e eram usados fora de casa.

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O jika-tabi foi criado em 1922 por dois irmãos, Tokujiro e Shojiro Ishibashi. Shojiro, inclusive, posteriormente fundou a empresa de pneus Bridgestone. A sola de borracha proporcionava mais tração, e por isso a bota jika-tabi podia ser usada na construção civil ou até mesmo em tempos de guerra.

Eles eram tão versáteis que, em 1951, o corredor Shigeki Tanaka venceu a Maratona de Boston usando um par de tênis estilo tabi feitos de jeans pela Onitsuka. Em 1953, a mesma empresa lançou o Marathon Tabi.

Tabi Margiela levou cultura japonesa para o mundo

Em 1988, a Maison Margiela lançou o modelo durante um desfile. Inspirado nos calçados japoneses, a ideia era que as modelos parecessem descalças sobre plataformas altas. Desde então, a grife fez da tabi uma parte essencial da marca.

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Em 1996, a Nike criou o Air Rift, inspirado nos corredores de longa distância do Quênia, que percorriam os caminhos descalsos. Segundo a Nike, o icônico tênis representa a primeira incursão da marca no mundo dos calçados que priorizam a mobilidade natural. A inspiração para o nome Air Rift veio do Vale do Rift, no Quênia.

Mas como as tabis chegaram na cultura pop?

Nos anos 1990, depois da criação da versão da Margiela, as tabis passaram a ser um código: quem usava entendia de moda. Mais que beleza, elas traziam informação de moda e sinalizavam que a pessoa que usava entendia, ou ao menos parecia entender, de moda e não apenas seguia tendências.

Mas durante muito temp oa tabi ficou apenas no circuito de moda, arte e pessoas ligadas à grife. Mas com a ascenção das redes sociais nos últimos anos, a forma como as pessoas se relacionam com a moda mudou. O Instagram, Pinterest e o TikTok colocaram o sapato em evidência. O detalhe “estranho” passou a ser o maior atrativo, por ser instantaneamente reconhecível.

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As celebridades também passaram a ter um papel fundamental nessa divulgação das tabis. Dua Lipa, Cardi B e Pedro Pascal estão entre os nomes associados à popularização do modelo. Em 2023, a Vogue chegou a classificar aquele período como um ano especialmente forte para as tabis, destacando inclusive o desempenho da Tabi Mary Jane no Lyst Index.

Depois vieram aparições de nomes como Zendaya e Irina Shayk, ajudando a transformar a silhueta em algo reconhecível também fora do circuito fashion. Era o sapato “feio” favorito das celebridades.

As tabis também se beneficiaram da obsessão atual por arquivos de moda A moda dos anos 2020 passou a valorizar muito peças de arquivo, códigos históricos de grandes maisons e itens reconhecíveis por quem acompanha moda. A busca não é mais pela tendência ou a novidade, mas sim pelo acesso ao que está guardado nos arquivos das grifes.

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Modelo deixou de ser apenas grife e se tornou mais acessível

A boa notícia para quem gosta do modelo é que, com a popularização dele, o acesso se tornou mais fácil. Agora, não é mais preciso desembolsar grandes quantias para ter uma tabi.

A marca Agui, da Grande Florianópolis, tem popularizado o modelo. Destaque para as botas, sapatilhas e maryjanes. A marca traz desde os mais clássicos (como botas pretas e sapatilhas simples) até as mais ousadas, como a versão bege com pelos que lembra mesmo a pata de um camelo. A bota, por exemplo, custa R$ 698, e a sapatilha por R$ 398.

A designer gaúcha Virgínia Barros também trouxe o modelo para seu rol de sapatos, por R$ 980. A loja nacional Quattre também tem a própria versão de um mule tabi por R$ 399. A Selecta Curadoria também aposta do modelo, com opções até de salto.