Talheres esquecidos podem valer milhares de dólares: veja como identificar a linha em brechós, leilões e caixas antigas

Talheres da linha Chantilly da Gorham, criada em 1895 pelo designer William Christmas Codman, com marcações características no verso do cabo que identificam a peça original

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As marcações no verso do cabo (leão, âncora, "G" cursivo, "STERLING" e "PAT 1895") são a chave para identificar peças originais em brechós e caixas antigas. (Foto: Reprodução, Ebay, AntiqueCupboard)

Quem entra em um brechó ou lojas de antiguidades normalmente olha primeiro para móveis, louças ou objetos de decoração, enquanto talheres usados dificilmente parecem a descoberta mais interessante da loja. Só que, escondido entre garfos e colheres comuns, pode aparecer um conjunto que vale muito mais do que aparenta.

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É o caso da linha Chantilly, criada pela Gorham no fim do século XIX. Feitas em prata de lei, as peças se tornaram populares no início dos anos 1900 e continuam despertando interesse de colecionadores.

O detalhe que entrega a peça

O modelo Chantilly surgiu em 1895 e chama atenção por um desenho mais discreto do que o encontrado em muitos talheres ornamentados daquele período.

Os cabos apresentam curvas decorativas e um formato que lembra uma flor-de-lis. Outra característica é uma pequena área livre na extremidade, usada com frequência para gravar iniciais ou monogramas dos antigos proprietários.

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Como são feitos de prata de lei, os talheres também podem escurecer com o passar do tempo. Essa aparência envelhecida não significa necessariamente que a peça perdeu valor.

Algumas peças valem centenas

O interesse não está apenas na idade ou no desenho. A própria quantidade de prata usada nos utensílios ajuda a explicar por que eles permanecem valorizados no mercado de usados.

Uma única colher de sopa do modelo chegou a ser vendida por 99 dólares (cerca de R$ 515). Em outro caso, seis colheres de chá foram negociadas por pouco menos de 200 dólares (cerca de R$ 1.038).

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Quando aparecem conjuntos maiores, os valores aumentam bastante. Um serviço com 66 utensílios, suficiente para oito lugares, foi vendido por quase US$ 4 mil mesmo sem acompanhar estojo.

Por isso, encontrar apenas algumas peças misturadas em uma caixa de talheres antigos já pode justificar uma olhada mais cuidadosa.

Marca fica no verso

Antes de comemorar uma possível descoberta, o primeiro passo é virar o utensílio e observar o verso do cabo.

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As marcações mudaram conforme o período de fabricação. Algumas peças trazem a inscrição “Gorham Sterling”. Outras apresentam “Pat 1895”, a palavra “Sterling” e os símbolos associados à fabricante: um leão, uma âncora e a letra G estilizada.

Essa verificação é importante porque outras empresas produziram peças inspiradas no desenho Chantilly. À primeira vista, elas podem parecer muito semelhantes ao conjunto original.

Monograma não acaba com valor

Encontrar iniciais gravadas no cabo também não significa que o utensílio deva ser descartado.

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As peças sem monograma podem alcançar preços maiores durante uma revenda, principalmente por serem mais fáceis de incorporar a outros conjuntos. Ainda assim, exemplares personalizados continuam tendo valor.

Na prática, o estado geral da prata pesa bastante. Um talher original e bem conservado pode continuar interessante mesmo carregando as iniciais de uma família de décadas atrás.

Conservação faz diferença

Depois de conferir as marcações, vale analisar cada peça individualmente.

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  • Garfos precisam ser observados principalmente nas pontas, que podem estar tortas ou deformadas.
  • Cabos também podem apresentar curvaturas provocadas pelo uso.
  • Amassados e riscos excessivos diminuem a qualidade do conjunto.
  • Outro problema aparece quando a prata foi polida agressivamente durante muitos anos.

O desgaste provocado pelo polimento pode apagar justamente os pequenos detalhes responsáveis por identificar o desenho Chantilly.

Por isso, aquele punhado de talheres esquecido no fundo de uma prateleira merece alguns segundos a mais de atenção. Entre peças comuns de cozinha, um símbolo gravado no verso e o desenho certo no cabo podem revelar um conjunto de prata criado há mais de um século e ainda disputado por colecionadores.

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