Técnica de antídoto para o vício em notícias ruins burla o algoritmo e diminui seu cansaço

Tendência incentiva usuários a selecionar conteúdos positivos, inspiradores e educativos para o feed; segundo especialista, a prática pode ajudar a reduzir o estresse

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Técnica de antídoto para o vício em notícias ruins burla o algoritmo e diminui o seu cansaço

Bloomscrolling propõe selecionar conteúdos positivos, inspiradores e educativos nas redes sociais para tornar a navegação mais consciente e reduzir a exposição contínua a notícias negativas. (Foto: Banco de imagens)

Você abre uma rede social para descansar a mente por alguns minutos, mas acaba encontrando notícias alarmantes, vídeos perturbadores e discussões que parecem não ter fim. Quando percebe, passou muito mais tempo rolando a tela do que pretendia, e está ainda mais cansada do que antes. Para quem se identifica com essa situação, uma tendência nas redes sociais propõe uma mudança simples: escolher melhor o que aparece no feed.

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Conhecida como bloomscrolling, a prática incentiva os usuários a consumir intencionalmente conteúdos positivos, inspiradores e educativos. Em vez de abandonar as plataformas digitais, a proposta é transformar a experiência, priorizando publicações que despertem curiosidade, tragam aprendizado ou provoquem sentimentos agradáveis.

Segundo Sreela Roy-Greene, conselheira e terapeuta de saúde mental licenciada na BetterHelp, entrar em contato com experiências de admiração, gratidão e conexão pode ajudar a acalmar o sistema nervoso e ampliar a perspectiva diante das dificuldades cotidianas.

“Para os jovens em particular, ver exemplos de esperança e resiliência pode combater a mensagem de que o mundo só piora e que nada do que fazem importa”, afirma a especialista em entrevista ao USA Today.

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Ela também destaca a importância de prestar atenção às próprias emoções durante o uso das redes sociais. Perguntar a si mesmo como determinado conteúdo provoca sentimentos, em vez de continuar navegando automaticamente, pode ser um primeiro passo para desenvolver mais consciência sobre os hábitos digitais.

O que é bloomscrolling?

A expressão bloomscrolling combina a palavra inglesa bloom, que significa florescer, com scrolling, o ato de rolar a tela. A ideia é fazer com que o tempo passado nas redes sociais contribua para o bem-estar, em vez de alimentar o cansaço e a ansiedade.

Foi o que Catherine Johnson, de 29 anos, decidiu experimentar depois de perceber que navegar pelas plataformas já não proporcionava o descanso que procurava.

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“Me senti esgotada em vez de ter o descanso que eu queria”, contou. “É como se eu me perguntasse: ‘Por que estou aqui, afinal?’”

A partir dessa percepção, ela começou a selecionar com mais cuidado os conteúdos que acompanhava. Passou a seguir perfis que publicam paisagens de montanhas e cachoeiras, além de criadores que compartilham trabalhos relacionados à escrita e à arte.

A mudança faz parte de um movimento mais amplo de pessoas que buscam uma relação mais consciente com a tecnologia. Enquanto algumas optam por celulares antigos ou telefones fixos para diminuir o tempo diante das telas, outras preferem continuar nas redes sociais, mas estabelecendo novos hábitos.

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Nesse cenário, ganharam popularidade conteúdos sobre recuperação da capacidade de concentração e atividades analógicas, como desenhar, escrever à mão e ler livros físicos. As chamadas bolsas analógicas, por exemplo, reúnem objetos como cadernos, livros de bolso e materiais de pintura para incentivar passatempos longe do celular.

Para Roy-Greene, o bloomscrolling propõe uma mudança de perspectiva: em vez de se preocupar apenas com o tempo gasto nas plataformas, o usuário passa a observar a qualidade do conteúdo consumido.

A estratégia também pode ser mais viável para quem não deseja excluir aplicativos. Johnson, que é mãe de quatro filhos, tenta evitar o celular pela manhã e antes de dormir, mas não pretende abandonar o TikTok. Ela conta que encontra na plataforma sugestões para escrever em seu diário, receitas e dicas práticas.

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“Não acho que eu seja o tipo de pessoa que vai apagar tudo, embora já tenha pensado nisso algumas vezes”, afirmou. “Acho que ‘bloomscrolling’ é a melhor maneira de usar as redes sociais, porque há muita coisa boa por aí.”

Por que ficamos presos à rolagem de notícias ruins?

A dificuldade de interromper a navegação está relacionada, entre outros fatores, à maneira como o cérebro reage a possíveis ameaças. Segundo Roy-Greene, os seres humanos tendem a prestar atenção especial a informações negativas, uma característica que teve importância para a sobrevivência ao longo da evolução.

Nas redes sociais, essa tendência pode contribuir para um ciclo difícil de interromper. Notícias alarmantes e imagens perturbadoras despertam preocupação e levam o usuário a procurar novas informações, na tentativa de compreender o que está acontecendo ou encontrar alguma sensação de resolução.

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O problema é que a busca nem sempre termina quando a pessoa se sente informada. Muitas vezes, uma publicação leva a outra, mantendo a atenção voltada para acontecimentos angustiantes.

“A resposta do corpo ao estresse permanece ativada. Com o tempo, isso pode se manifestar como ansiedade, irritabilidade, dificuldade de concentração e uma sensação constante de pavor”, explica a terapeuta.

Os algoritmos das plataformas também podem contribuir para prolongar esse comportamento, recomendando conteúdos com base nas interações anteriores. Notificações, vídeos curtos e publicações inesperadas ajudam a manter o interesse, tornando mais difícil perceber quanto tempo passou.

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O uso frequente das redes sociais é especialmente relevante entre adolescentes. Dados de 2024 do Pew Research Center indicam que quase metade dos adolescentes americanos afirma estar online quase constantemente. Um levantamento anterior da mesma instituição apontou que 72% dos adolescentes entrevistados verificavam as notificações do celular assim que acordavam, pelo menos ocasionalmente.

A especialista ressalta que os jovens podem ser particularmente vulneráveis aos hábitos digitais compulsivos porque as áreas do cérebro envolvidas no controle dos impulsos e na regulação emocional continuam em desenvolvimento até a vida adulta.

Como praticar bloomscrolling no dia a dia

A primeira etapa é observar como você se sente depois de navegar pelas redes sociais. O conteúdo consumido deixa a mente mais tranquila e desperta curiosidade ou provoca tensão, irritação e esgotamento?

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“Depois de navegar pelo feed, faça uma pausa e observe como você se sente. Você está mais calmo, conectado e energizado, ou tenso e esgotado? Essa rápida avaliação diz muito sobre o efeito que seu feed tem sobre você”, recomenda Roy-Greene.

A partir dessa observação, é possível fazer mudanças simples na seleção de conteúdo:

  • Siga perfis que fazem bem: priorize contas que ensinam algo, despertam inspiração, compartilham arte ou provocam risadas.
  • Revise o que aparece no feed: deixe de seguir ou silencie perfis cujas publicações provocam desconforto recorrente.
  • Evite navegar no piloto automático: antes de abrir um aplicativo, pense no motivo pelo qual deseja acessá-lo e no que espera encontrar.
  • Preste atenção aos horários: experimente reduzir o uso das redes sociais logo ao acordar e antes de dormir.
  • Leve a inspiração para fora da tela: se encontrar uma receita interessante, prepare-a; se vir um lugar bonito, planeje um passeio; se uma publicação lembrar alguém, compartilhe com essa pessoa.

A proposta não é ignorar problemas sociais ou substituir informações importantes por conteúdos alegres. O objetivo é evitar que o consumo de notícias negativas se torne automático e ocupe todo o espaço da experiência digital.

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Roy-Greene também alerta que a prática não resolve todos os problemas relacionados ao bem-estar. O bloomscrolling não substitui sono adequado, atividade física ou relacionamentos presenciais. Ele funciona como uma forma de tornar mais proveitoso um tempo que já seria dedicado às redes sociais.

No fim, a mudança começa com uma pergunta simples: como você quer se sentir depois de fechar o aplicativo? A resposta pode ajudar a escolher melhor o que acompanhar.

*Com informações do USA Today