O número de profissionais de enfermagem afastados do trabalho desde o início da pandemia do coronavírus em Santa Catarina chegou a 713, informou o Conselho Regional de Enfermagem (Coren) nesta segunda-feira (4). Na semana anterior, eram cerca de 500. Esta elevação se deve à falta de equipamentos de proteção individual (EPI), ou o uso inadequado, e ao aumento dos casos de infectados assintomáticos, conforme a presidente do Coren Helga Regina Bresciani.
Entre os afastados, enfermeiros, técnicos e auxiliares, 632 são casos suspeitos de Covid-19, 66 estão confirmados, 14 estão internados com suspeita de contaminação e um em Unidade de Terapia Intensiva (UTI).
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Conforme Bresciani, as instalações improvisadas em algumas instituições de saúde também expõem os profissionais à contaminação. Ela alerta, que se não houver uma mudança neste cenário, com o aumento dos pacientes com a doença, o estado pode ter falta de profissionais de enfermagem.
– Esse aumento se deve ao número de pacientes assintomáticos circulando e depois porque as instituições de saúde estão restringindo e muitas não estão dando acesso à máscara cirúrgica aos profissionais de enfermagem nas unidades que tratam de outras comorbidades – pontuou.
Alerta
De acordo com a presidente do Coren, se o número de infectados continuar aumentando em Santa Catarina, eram 2,5 mil até esse domingo (3), e os equipamentos de proteção não chegarem até as equipes de enfermagem, o estado pode ter falta de profissionais.
– Ainda não há falta de profissionais, mas a hora que aumentar consideravelmente esse número, dia a dia está dobrando o número de casos confirmados, a gente acha que pode haver falta de profissionais de enfermagem, se alguma coisa urgente não for feita com relação à máscara cirúrgica para equipes de saúde. A gente precisa muito mais que palmas pro profissional de enfermagem, mas de consideração, respeito e valorizaão – declarou.
Fiscalização
Conforme a presidente, o Conselho tem atuado na fiscalização de cada denúncia e se deparado com casos preocupantes, como de instituições que dão equipamentos inadequados aos profissionais.
– Temos atendido muitas denúncias e tem instituições achando que podem dar máscara de pano, não tem como para o profissional de saúde. Ele não pode ficar a um metro de distância para fazer um cuidado. Ele tem que ficar junto ao paciente. Não poder ser de pano, ele precisa de proteção adequada – afirma.
Há instituições de saúde com estruturas improvisadas e, em alguns casos, há despreparo das equipes para paramentação e desparamentação de (EPI), conforme Helga Bresciani.
– Já enviamos ofício a todos os responsáveis técnicos de enfermagem, orientando sobre a questão do EPI. A gente acessou o Ministério Público de Santa Catarina sobre as denúncias e ingressamos com duas ações civis públicas contra instituições do interior que não davam máscara cirúrgica aos profissionais de enfermagem – relatou.
