Marina Chapman afirma que tinha apenas 4 anos quando foi sequestrada perto de casa, na Colômbia, e abandonada em uma floresta tropical. Sozinha em meio à natureza, ela diz ter encontrado nos macacos-prego uma companhia inesperada e aprendido com os animais a sobreviver. Décadas depois, já na faixa dos 70 anos, ela relembrou essa experiência e contou como reagiu ao descobrir a própria aparência ao se olhar no espelho pela primeira vez.
Em entrevista recente ao podcast OMG Stories Up Close, Marina recordou o que descreve como sua primeira lembrança: brincava com vagens de ervilha quando foi agarrada por trás e teve o rosto coberto por criminosos.
Na manhã seguinte, acordou na floresta. Assustada, percebeu a presença de um macaco e, logo depois, de outros animais que se aproximaram para observá-la.
“Eu estava muito assustada, mas um deles veio, começou a mexer nas minhas orelhas e a tocar em mim”, contou.
Segundo Marina, os macacos inicialmente se afastavam, mas voltavam para observá-la. Com o tempo, alguns passaram a subir em seus ombros e brincar com seu cabelo. A presença dos animais, afirmou, ajudou a aliviar a solidão enquanto esperava que alguém fosse buscá-la.
“Eu me sentia muito sozinha, e ter aquele animal subindo nos meus ombros e ficando ali, brincando com meu cabelo, foi realmente reconfortante enquanto eu esperava que alguém viesse me buscar. Mas ninguém apareceu”, relatou.
O choque ao ver o próprio rosto
De acordo com seu relato, Marina passou anos na floresta e aprendeu a identificar frutas que podia comer, encontrar água e se movimentar pelas árvores. Ela afirma que os macacos-prego tiveram um papel importante em sua sobrevivência, inclusive por meio dos hábitos que observava nos animais.
A situação mudou quando um grupo de caçadores entrou na floresta e a encontrou. Marina diz que, naquele momento, já havia desenvolvido um vínculo com os macacos e se sentia parte daquele ambiente.
Ao ser questionada sobre considerar os animais sua família, ela relembrou o impacto de encontrar um pedaço de espelho. Até então, segundo contou, não sabia como era seu próprio rosto.
“Foi o maior choque da minha vida, porque eu não tinha noção de como era meu rosto. Foi a primeira vez que vi minha própria face. Naquele momento, pensei: ‘Não sou como uma macaca’”, afirmou.
Marina também disse que começou a se sentir confusa em relação à própria identidade e à linguagem. Depois de tanto tempo convivendo com os animais, acreditava ter esquecido a língua que falava antes do desaparecimento.
Uma nova vida na Inglaterra
Apesar das dificuldades e da falta de educação formal, Marina afirma ter conseguido construir uma vida estável depois de deixar a floresta. Em seu relato, ela disse que se surpreendeu com o próprio percurso e atribuiu parte de sua trajetória à determinação de fazer o melhor possível diante das circunstâncias.
Em 1977, depois de chegar à Inglaterra para trabalhar como babá, conheceu John Chapman em uma igreja na cidade de Bradford. Na época, ela quase não falava inglês, enquanto ele não falava espanhol. Ainda assim, os dois se apaixonaram e se casaram poucos meses depois.
O casal teve duas filhas, Joanna e Vanessa, e construiu uma vida no condado de Yorkshire, no norte da Inglaterra.
