Crescer entre plantações e acompanhar o pai durante a lida eram algumas das atividades preferidas de Gracita Basso na infância. Natural de Espumoso, no Rio Grande do Sul, ela descobriu cedo sua ligação com a agricultura. Anos depois, porém, precisaria transformar aquela paixão em responsabilidade ao assumir os negócios da família após enfrentar perdas dolorosas.
Atualmente, sua rotina no Distrito Federal envolve a administração de atividades agrícolas e de avicultura, além do acompanhamento dos funcionários e dos resultados da produção. Nem sempre foi fácil conciliar tantas responsabilidades, principalmente nos períodos em que o trabalho se tornou uma maneira de lidar com o luto.
Segundo o Canal Rural, essa história pode ganhar continuidade pelas mãos de Renato, filho da produtora. Interessado em seguir os passos da mãe, ele representa a possibilidade de uma nova geração assumir a propriedade construída pela família.
Uma vida ligada ao campo
Antes mesmo de completar dez anos, Gracita já demonstrava preferência pelo trabalho rural. Enquanto outras atividades ocupavam o cotidiano da casa, ela gostava de acompanhar o pai, Amado, durante as tarefas na lavoura.
Foi aos 15 anos que sua vida tomou outro rumo. Em setembro de 1989, deixou a cidade natal e seguiu para o Distrito Federal, onde seus irmãos já estavam estabelecidos. Seus pais, Amado e Vilma, chegaram no início do ano seguinte.
Com a mudança, surgiram novas oportunidades de aprendizado. Diferentemente da realidade que conhecia no Sul, a propriedade da família também trabalhava com criação de frangos, atividade que conquistou espaço em sua trajetória.
Durante os anos seguintes, agricultura e avicultura passaram a fazer parte de seu cotidiano. Entretanto, assumir completamente a gestão dos negócios ainda parecia uma responsabilidade distante.
Essa realidade mudou em 2010. Duas perdas familiares abalaram Gracita e fizeram com que precisasse assumir a administração da propriedade, mesmo sem dominar todas as atividades envolvidas.
“Em 2010 eu tive que assumir literalmente tudo. Tomar as rédeas e respirar fundo”, contou ao Canal Rural.
Sem encontrar respostas prontas para os desafios, começou a buscar conhecimento entre profissionais experientes, funcionários e eventos voltados ao setor. Aprender na prática se tornou parte indispensável da nova função.
Luto e novos desafios
Enfrentar as perdas familiares enquanto administrava a propriedade exigiu mais do que conhecimento técnico. Para Gracita, manter-se ocupada com as atividades rurais também ajudou a atravessar o sofrimento.
Quando 2021 trouxe novas despedidas, a produtora encontrou novamente na rotina do campo uma forma de seguir em frente. Permanecer próxima daquilo que a família havia construído ganhou um significado ainda maior.
“Mais uma vez o trabalho foi o nosso alimento diário para a gente seguir em frente e conseguir levantar a cabeça”, relembrou.
Longe dos momentos de superação, a administração rural também apresenta dificuldades constantes. Custos de produção elevados, margens financeiras apertadas e exigências legais fazem parte das preocupações que acompanham suas decisões.
Há noites em que os problemas surgem antes mesmo de amanhecer. Para conseguir descansar, Gracita adotou o hábito de deixar um caderno ao lado da cama, anotando questões que precisam ser resolvidas no dia seguinte.
Manter os negócios funcionando exige atenção a diferentes áreas, desde questões financeiras até detalhes do manejo. Mesmo com a experiência acumulada, ela reconhece que novos aprendizados continuam fazendo parte da profissão.
Tecnologia e sucessão familiar
Assim que os pintinhos chegam à granja, começa uma etapa que exige cuidados constantes. Condições de temperatura, ventilação e umidade precisam ser acompanhadas para garantir o desenvolvimento dos animais.
Dez funcionários participam das atividades da propriedade, sendo quatro dedicados diretamente à avicultura. Gracita procura manter uma relação próxima com a equipe e considera importante ouvir quem acompanha diariamente cada processo.
Para melhorar as condições de criação, os aviários receberam estruturas de controle ambiental. Entre os equipamentos utilizados estão placas evaporativas, sistemas de ventilação e mecanismos de vedação, que ajudam a manter o ambiente adequado.
Mesmo diante da modernização, certos hábitos continuam os mesmos. Ao receber novos lotes, a agricultora costuma chamar os pintinhos de seus bebês, demonstrando o cuidado com que acompanha a produção.
Agora, depois de mais de três décadas ligadas ao campo, Gracita começa a enxergar a possibilidade de dividir esse legado com a próxima geração. Interessado nos negócios rurais, Renato poderá dar continuidade ao trabalho iniciado pelos avós e mantido pela mãe, preservando uma história familiar que resistiu a diferentes perdas e transformações.
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