Ambulantes cruzam o Brasil e encaram 3 dias de viagem para trabalhar nas praias de SC

Mais de mil vagas para ambulantes na temporada de verão 2025/2026 em Florianópolis foram abertas pela prefeitura

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ambulantes praia

Vendedor de picolé usa fantasia de homem-aranha para ampliar vendas (Foto: Nathalia Fontana, SC)

Enquanto a temporada de verão é sinônimo de férias e descanso para muitos, tem quem faça durante o período o lucro que garante o sustento do ano inteiro. Em alguns casos, trabalhadores deixam sua rotina em outros estados para trabalhar nas areias de Santa Catarina e fazer um pé de meia na estação mais quente do ano.

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Kennydson Pereira é um desses exemplos. Ele, que é de Rondônia, veio pela segunda temporada para Florianópolis a trabalho. Foram três dias de viagem, parte de carro e outra de ônibus, até chegar no Norte da capital catarinense, onde atua como vendedor em um quiosque em Jurerê Internacional. Esforço que, segundo ele, vale a pena financeiramente e pela experiência vivida na região.

— Compensa bastante. A gente é do interior do Brasil, ajuda a família, parente, todo mundo com o que a gente consegue com um trabalho aqui. Vale a pena, porque é uma experiência. É única, você não vai viver isso de novo, então tem que aproveitar ao máximo — afirma.

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O desejo dele agora é que o tempo em Florianópolis se estenda um pouco mais, e que seja possível ficar na cidade também durante o inverno. Depois de uma primeira temporada trabalhando na praia, o convite para repetir o feito veio e foi aceito com animação, mesmo diante do trajeto longo entre o lar e a Capital de Santa Catarina, o qual considera “dolorido e cansativo”.

A expectativa para a temporada também é grande, e Kennydson anseia não só por boas vendas, como por conhecer pessoas novas. O quiosque onde trabalha vende porções, bebidas, água de coco, lanches, gelo e outros itens. Grande parte dos clientes é de fora do país, especialmente da Argentina, Paraguai e Chile.

— A gente desenrola um pouco do portunhol, vai tentando entender o que é. Eles também compreendem alguma coisa, também ajudam e a gente vai se virar no que pode. A gente estuda o cardápio pra poder falar espanhol pra eles também, então já facilita — explica Kennydson.

Para ele, um dia de praia ideal em Florianópolis tem que ter uma cerveja, caipirinha gelada, água de coco e um bronzeado. Jurerê, onde trabalha, é das praias que conhece a sua preferida. E os planos são de seguir na Ilha, de um jeito ou de outro, para os verões que estão por vir.

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Fotos mostram dia de praia em Jurerê

De Sergipe para Jurerê

Salomão da Silva, vendedor de milho na praia de Jurerê, enfrenta uma jornada semelhante a de Kennydson. São três dias de viagem de ônibus desde Sergipe até Florianópolis para passar a temporada trabalhando nas praias da Capital. Desafio que realiza há quatro anos.

Um convite de um amigo foi o pontapé inicial para o trabalho que realiza durante a temporada de verão até a Páscoa. Segundo Salomão, já fazem três meses que ele está em Florianópolis, e as vendas estão cada vez melhores.

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— A expectativa tá boa demais agora, tá começando a temporada, tá melhorando as vendas. Tem bastante turista de fora. Fala tudo misturado, espanhol, português, e dá tudo certo — relata.

Homem-aranha do picolé

Uma cena inusitada já virou frequente nas praias catarinenses: figuras vestidas de homem-aranha vendendo picolé e outras comidas. Um dos “heróis” em Florianópolis é Marcos Dutra, natural do Rio Grande do Sul e morador da Capital há quatro anos.

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Ele conta que veio com a família para conhecer a cidade, se apaixonou e decidiu mudar de forma definitiva. A qualidade de vida, oportunidades de emprego e segurança cativaram o gaúcho a escolher Florianópolis como lar.

— Fazem quatro anos que sou morador aqui de Floripa. Gosto muito daqui, não volto mais pro Rio Grande do Sul, nunca mais — afirma o vendedor.

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A “identidade secreta”, contudo, não veio já na primeira temporada vendendo picolé. De início, ele vendia sorvete com roupa normal, mas ficou curioso ao ver outros colegas adotando a estratégia. Resolveu testar e deu tão certo que não parou mais.

— A primeira temporada trabalhei normal. Aí tinha um colega que colocava fantasia. Senti curiosidade, coloquei e começou a dar certo, não parei mais. Até o adulto para a gente só para tirar foto, daí já acaba comprando um picolé. É super bom, porque chama atenção — relata.

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A expectativa para a temporada está alta por conta da previsão do número de turistas e da praia alargada, o que faz com que tenha espaço para mais banhistas. Marcos afirma que mais de 70% das vendas são para estrangeiros, especialmente argentinos, paraguaios e uruguaios. Por conta disso, aprendeu um pouco de espanhol.

Ele relembra que no primeiro ano passou o inverno todo na praia, período sofrido por conta das poucas vendas com o frio, chuva e vento típicos de Florianópolis. Nesse ano, trabalhou no restaurante da esposa nos Ingleses, que tem atendido muitos chilenos que vêm fora da temporada, e, agora, durante o verão, retornou para a areia da praia, de homem-aranha, para vender picolé.

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Para ele, o sol e o calor não podem faltar para as vendas irem “de vento em popa”. O trocadilho, no entanto, traz o vilão que pode atrapalhar:

— Verão tem que ter muito sol, pro vento não atrapalhar a gente. As crianças comem sorvete aqui em Jurerê praticamente o dia todo. Então é bom demais. Mas não pode ventar e tendo um dia de sol, vão ser vendas excelentes — afirma.

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Como funciona cadastro de ambulantes

A atuação como ambulante durante a temporada de verão em Florianópolis ocorre através da obtenção de licença prévia com a prefeitura. Neste ano, foram lançados dois editais: um para venda de sorvetes e outro para ambulante de praias, voltado para produtos variados.

Os contemplados nos editais podem atuar com alvará de comércio entre os dias 15 de novembro e 5 de maio. Para os interessados em vender picolés durante o verão, foram abertas 272 vagas em 28 praias da capital. O processo incluía apresentação de documentação por parte de pessoas jurídicas ou representantes de marcas de sorvetes.

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Já para os ambulantes de praias, de diversos produtos, são um total de 776 vagas abertas, incluindo oportunidades destinadas para idosos e pessoas com deficiência. Também é preciso se inscrever através do site e as vagas são distribuídas por meio de sorteio eletrônico.

As vagas são para diferentes modalidades de comércio, como artigos de praia como chapéus, mantas e redes, bebidas em caixas térmicas, carrinho de água de coco, carrinhos de açaí, carrinhos de choripan, carrinhos de coquetéis e sucos, carrinhos de milho, carrinhos de chope, carrinhos de vinho e espumante, carrinhos de pastel e instalação de tendas de massagem.