Sem capital de giro, Jennifer Toledo e Deisi Machado começaram com uma estratégia de pequenos passos: vendiam os produtos e reinvestiam o dinheiro em novos lançamentos. Criada no final de 2021, a The Queen’s Lab nasceu da amizade entre as duas e da vontade de encontrar roupas que traduzissem suas paixões por música, filmes e séries.
Sediada em Araranguá, no Sul de Santa Catarina, a marca vende exclusivamente pelo próprio site. As peças já chegaram a todos os estados brasileiros e, segundo as empreendedoras, mais de 12 mil produtos foram vendidos entre janeiro e setembro de 2026.
A parceria começou antes da empresa. Jennifer e Deisi se conheceram enquanto trabalhavam juntas e descobriram afinidades que iam além da rotina profissional. Como fãs de cultura pop, também compartilhavam uma insatisfação com as opções disponíveis no mercado.
“Sempre fomos fãs, mas sentíamos uma falta no mercado de produtos que fugissem do óbvio, que fossem mais pesquisados e trouxessem referências que só quem realmente é fã reconhece”, contaram ao NSC Total.
Como a marca de cultura pop começou sem capital de giro
No início, transformar as ideias em produtos exigiu paciência. Sem dinheiro disponível para manter a operação e com pedidos pequenos, as amigas tinham dificuldade para encontrar fornecedores dispostos a produzir as peças.
A saída foi crescer conforme as vendas permitiam. O dinheiro que entrava ajudava a financiar os próximos lançamentos.
Antes das roupas, a dupla produziu conteúdos sobre branding e lançou artigos de papelaria. O vestuário, porém, já estava nos planos desde o começo.
A proposta era criar peças que combinassem referências de cultura pop com roupas que as próprias sócias gostariam de usar no dia a dia. Além das estampas, a preocupação envolvia modelagens, tecidos e cores. “A ideia é justamente mostrar que você não precisa abrir mão do seu estilo para vestir aquilo que ama”, explicaram.
De Crepúsculo à camiseta que virou “uniforme” em shows
Uma das primeiras viradas veio com uma coleção inspirada em Crepúsculo. Segundo as empresárias, a aposta contrariou comentários de que o interesse pela saga havia ficado nos anos 2000.
A resposta dos clientes fez o tema voltar ao catálogo. Desde então, a marca lança coleções inspiradas nesse universo todos os anos.
Outro lançamento que surpreendeu a dupla foi uma camiseta inspirada em Bruno Mars. A criação incorporou a estética das camisas de futebol, tendência conhecida como blokecore, ao universo musical.
Segundo as sócias, a peça viralizou e vendeu centenas de unidades pelo Brasil. “O mais legal foi ouvir das pessoas que, nos shows, parecia que tinha um uniforme, porque tinha muita gente usando a nossa camiseta”, lembram.
Já os produtos desenvolvidos para os shows do BTS no Brasil levaram a empresa a registrar seu recorde de vendas em um lançamento, conforme relatam.
Perda de conta fez amigas recomeçarem nas redes
A trajetória também teve um revés em 2023, quando a marca perdeu a conta no Instagram, que reunia cerca de 5 mil seguidores. A rede era o principal canal de apresentação dos produtos e de contato com os clientes.
As empreendedoras precisaram reconstruir essa presença e buscaram outras plataformas para manter a divulgação.
“Foi um momento desesperador, mas a gente acredita muito na Queen’s e vê, todos os dias, que ela representa muito mais do que uma marca para tantas pessoas”, afirmaram.
Hoje, segundo a dupla, cerca de 85% do público é formado por mulheres entre 20 e 35 anos. A identificação com os temas também abriu espaço para amizades e encontros presenciais organizados pelas próprias clientes.
Marca de Araranguá quer ampliar vendas internacionais
Jennifer e Deisi formam a equipe fixa da empresa. Deisi concentra as atividades administrativas e operacionais, enquanto Jennifer cuida principalmente da criação e do marketing. As duas dividem o atendimento e a logística dos pedidos.
A operação também conta com profissionais parceiros em etapas como modelagem, costura, estamparia, ilustração e fotografia.
Além de atender todos os estados brasileiros, a marca já fez envios internacionais para clientes que se mudaram para fora do país. Ampliar esse alcance está entre os próximos objetivos.
No longo prazo, as amigas querem que a identidade da própria Queen’s tenha cada vez mais peso na escolha dos consumidores.
“Queremos que alguém veja uma peça e pense que quer aquilo porque é da Queen’s”, disseram.
