A presença de centenas de andorinhas em fios de energia e árvores na rua Clevelandia, em frente ao Terminal Urbano de Chapecó, tem chamado a atenção de moradores e motoristas que circulam pelo local. O fenômeno, no entanto, é considerado natural e ocorre todos os anos em determinadas épocas.
Segundo a bióloga Eliara Solange Müller, as andorinhas são aves com ampla distribuição no Brasil e fazem parte da fauna residente da região Oeste de Santa Catarina. Elas se reproduzem no Sul do país e realizam migrações sazonais em busca de alimento.
— É uma espécie com grande distribuição no país e nossa região tem um inverno mais intenso. Por isso, a população de insetos reduz e elas são vistas por aqui apenas em um período do ano. A motivação para a migração é justamente a busca por alimento — explica a bióloga.
De acordo com Eliara, por volta de maio as aves costumam migrar para a região Nordeste do Brasil, onde encontram condições climáticas mais favoráveis e maior disponibilidade de insetos. O retorno ocorre normalmente em setembro.
Comportamento de agrupamento
Durante o período de reprodução, as andorinhas permanecem mais dispersas.
Já no final do ano, principalmente a partir de dezembro, elas passam a se reunir em grandes grupos, comportamento que tem sido observado na área central da cidade.
— Antes disso, é o momento de reprodução. Depois, elas começam a se reunir, formando grandes grupos — destaca a especialista.
O local onde as aves se concentram também pode mudar com o tempo. Segundo Eliara, as andorinhas escolhem pontos que comportem todo o grupo e que ofereçam segurança.
— O local onde elas ficam é um processo de adaptação com a dinâmica da cidade. Antes elas estavam em outro ponto e, por alguma alteração, trocaram de lugar. Elas buscam um local onde todos os animais do grupo consigam se acomodar — explica.
Presença não representa risco à saúde
A concentração das aves também gera dúvidas em relação às fezes deixadas nos locais onde permanecem. No entanto, análises realizadas indicam que não há risco relevante à saúde pública.
— Já fizemos análises fecais. Sabemos que são fezes e todas têm micro-organismos, mas não existem parasitas de risco à saúde pública de acordo com os exames que realizamos. É preciso apenas ter o cuidado normal por se tratar de fezes — afirma a bióloga.
A companhia de energia também informou que a presença das aves nos fios de luz não representa problemas para a rede elétrica.
Permanência até o outono
A tendência é que os grupos de andorinhas permaneçam em Chapecó até aproximadamente o mês de maio, quando iniciam novamente o movimento migratório em direção ao Nordeste do país.
Durante o dia, é comum observar as aves reunidas nas árvores nas primeiras horas da manhã e no fim da tarde, momentos em que retornam aos locais de descanso após passarem o dia se alimentando de insetos pela cidade.



