SC tem quase mil investigações de violência contra idosos abertas só em 2024

No Brasil, em 2023 foram registrados mais de 143 mil casos de violência contra idosos

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violência contra idosos

População feminina é a mais atingida (Foto: Banco de Imagens)

Em Santa Catarina, cerca de 15% da população tem 60 anos ou mais, por isso, campanhas como o Mês de Conscientização da Violência contra o Idoso, são importantes para dar visibilidade à gravidade do problema. Segundo a Delegacia de Proteção à Criança, ao Adolescente, à Mulher e ao Idoso (DPCAMI), apenas nos seis meses deste ano tramitam 943 investigações de crimes contra idosos.

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Entre os motivos mais comuns estão apropriação de bens e dinheiro, exposição da pessoa idosa a perigos, deixar de prestar ou dificultar sua assistência à saúde, reter cartão magnético de conta bancária relativa a benefícios, pensão ou salários do idoso. A delegada da Polícia Civil de Santa Catarina, Patrícia Zimmermann D’Avila, titular da Coordenadoria das DPCAMIs, assinalou que a violência não se restringe a uma marca no corpo.

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— Ela pode ser física, sexual, psicológica (agressões verbais); institucional (quando é praticada por funcionários de uma instituição pública ou privada); financeira quando os bens ou recursos financeiros são usados sem consentimento, ou até mesmo patrimonial, que é quando uma pessoa pressiona a vítima assinar documentos sem a devida explicação, alterar testamento, antecipar herança ou vender bens e imóveis sem sua vontade e consentimento — explica.

Ainda segundo a delegada, como a violência normalmente é praticada dentro da casa da vítima e por familiares ou profissionais contratados para cuidar do idoso, é importante que pessoas próximas estejam alertas para mudanças de comportamento.

— As pessoas devem ficar atentas aos sinais dados pela vítima como o entristecimento, a falta de recursos para comprar remédios, alimentos, o afastamento do convívio social — observa.

Mais de 143 mil casos de violência no Brasil em 2023

Em 2023, cerca de 143 mil denúncias de violência contra idosos foram registradas em todo o Brasil. Esse dado corresponde a um aumento de quase 50 mil casos em relação a 2022. A Região Sudeste foi a que registrou maior número de casos (53%) de 2020 a 2023. Em seguida, aparece a Região Nordeste (19,9%).

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Os números fazem parte da pesquisa Denúncias de Violência ao Idoso no Período de 2020 a 2023 na Perspectiva Bioética. A pesquisa resultou em artigo publicado em parceria pelas professoras Alessandra Camacho, da Escola de Enfermagem da Universidade Federal Fluminense (UFF) e do Programa Acadêmico em Ciências do Cuidado da UFF, e Célia Caldas, da Faculdade de Enfermagem da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ).

A professora Alessandra Camacho, que fez parte do estudo, explicou que a vulnerabilidade desta parcela da população é um dos fatores que influencia o grande número de casos. Por isso, idoso com mais de 80 anos, especialmente mulheres, são mais suscetíveis a sofrerem violência. No período de 2020 a 2023, o sexo feminino respondeu por mais de 67% das denúncias notificadas. 

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— Esse também é um dado relevante porque as mulheres alcançaram um quantitativo de mais de 60% no período estudado, e isso se repetiu em 2024, o que só vem confirmar que a mulher tem também situação de vulnerabilidade — afirmou a professora em entrevista à Agência Brasil, que defende políticas públicas para essa parcela da população.

Alessandra ressaltou que é importante continuar com a análise anual das informações sobre violência contra idosos, para mostrar que os canais de denúncia são eficientes. Uma forma mais direta de denunciar casos de violência contra idosos é o Disque Direitos Humanos – Disque 100, ou por meio de delegacias delegacias preparadas especialmente para atender essa parcela da população, além do Ministério Público, que também faz esse tipo de acolhimento.

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Florianópolis sanciona lei para idosos

Pensando em políticas públicas voltadas para a população idosa, a Prefeitura de Florianópolis sancionou na segunda-feira (17) a lei que institui o decreto Estratégia Brasil Amigo da Pessoa Idosa (EBAPI) no município. O decreto visa promover a qualidade de vida das pessoas idosas e garantir o envelhecimento ativo e saudável, para a efetivação da Política Nacional da Pessoa Idosa através de políticas públicas e ações que atendam às necessidades desse segmento da população.

A assinatura regulariza uma estratégia que utiliza metodologia proposta pela Organização Mundial da Saúde (OMS), adaptada para a realidade brasileira, com objetivo de tornar as comunidades e cidades amigáveis às pessoas idosas.

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O município já realizou o diagnóstico, o plano municipal e com a aprovação da Lei, os próximos passos envolvem a execução das ações que englobam 8 dimensões: ambiente físico, transporte e mobilidade, moradia, participação, respeito e inclusão, comunicação e informação, oportunidades de aprendizagem, saúde e cuidado.

O plano foi realizado em parceria com o Conselho Municipal da Pessoa Idosa e a Assessoria de Políticas Públicas para Pessoa Idosa, órgão do município que trabalha com direitos desta população. Os municípios que se destacarem na implementação dessas ações serão reconhecidos pelo Governo Federal e receberão certificados e selos, que atestam a eficiência e a eficácia das políticas oferecidas às pessoas idosas.

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*Sob supervisão de Andréa da Luz

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