Após perder três filhos, idosa de 92 anos aprende cerâmica e reencontra a esperança ao lado da filha: “Me deixa muito feliz”

Mãe e filha são alunas na Escola de Oleiros Joaquim Antônio de Medeiros, em São José

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Dona Tetê e a filha Márcio compartilham aprendizados durante as aulas (Foto: Prefeitura de São José, Divulgação)

Maria Terezinha, de 92 anos, e a filha Márcia da Silva resolveram começar uma experiência nova na Grande Florianópolis, em Santa Catarina: as duas escolheram aprender a fazer cerâmica. A iniciativa trouxe momentos especiais compartilhados entre mãe e filha.

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As duas mulheres são alunas na Escola de Oleiros Joaquim Antônio de Medeiros, em São José, onde encontram momentos de descontração, aprendizado e convivência. Para Dona Tetê, apelido carinhoso que Maria recebeu, a rotina nas aulas é uma oportunidade de sair de casa, conversar, aprender e aproveitar momentos diferentes.

Cerâmica virou um espaço de afeto para mãe e filha

Depois de enfrentar a perda de três dos quatro filhos, Dona Tetê reencontrou na atividade o amor e a alegria que precisa para enfrentar os momentos difíceis. Tudo com a filha Márcia ao lado, que acompanha cada descoberta, feliz por ver a mãe continuar ativa e aberta a novas vivências.

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“Eu gosto de estar aqui, de aprender e de conversar com as pessoas. É muito bom sair de casa e viver esses momentos”, diz Dona Tetê.

Para Márcia, a experiência tem um significado que vai além das atividades realizadas em sala de aula. Estar ao lado da mãe é uma oportunidade de dividir o tempo, criar lembranças e proporcionar momentos de alegria depois de tantas dificuldades enfrentadas pela família.

“É muito especial viver isso com ela. Depois de tudo o que minha mãe passou, ver que ela continua aprendendo, se divertindo e convivendo com outras pessoas me deixa muito feliz”, afirma.

A presença das duas mulheres nas atividades demonstra a capacidade da cerâmica de reunir pessoas de diferentes gerações na realização de objetos que carregam memória, identidade e pertencimento.

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Para a secretária de Cultura e Turismo, Ellen Campos Prim, a Escola de Oleiros representa um patrimônio que vai além das técnicas artesanais e permanece vivo por meio das pessoas que passam por ela.

“A Escola de Oleiros preserva a nossa história, mas também é um espaço de encontros, aprendizado e convivência. Histórias como a da Dona Tetê mostram que a cultura continua viva quando é compartilhada entre gerações”, destaca Ellen.

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Mais de 30 anos de história

Fundada em 30 de novembro de 1992, a Escola de Oleiros Joaquim Antônio de Medeiros é a primeira escola municipal da América Latina dedicada ao ensino do ofício da cerâmica artesanal. Localizada no bairro Ponta de Baixo, a instituição ensina as técnicas tradicionais da louça de barro, atividade diretamente ligada à herança açoriana e à formação cultural de São José.

Segundo a prefeitura do município, a tradição remonta ao século 18, quando famílias açorianas se estabeleceram na região e contribuíram para consolidar a produção de louças de barro como uma das principais atividades econômicas locais.

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Ao longo de mais de 30 anos de história, a escola tem contribuído para manter esse conhecimento vivo e fortalecer o reconhecimento de São José como Capital da Louça de Barro de Santa Catarina. Com aulas gratuitas, a instituição oferece cursos de roda de oleiros, modelagem figurativa e modelagem diversa.

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