Talvez você já tenha visto testes de DNA caseiros para conhecer melhor seus ancestrais, mas já imaginou fazer um destes e descobrir que sua família não é sua? Esse foi o caso de Kyle Bylin e Jeremy Morrison, que descobriram que haviam sido trocados na maternidade.
Os dois nasceram em 26 de janeiro de 1988 no Unity Medical Center, na Dakota do Norte, EUA. Agora, eles processam o hospital onde nasceram e em que foram trocados. Segundo a ação judicial, Kyle e Jeremy eram os únicos bebês nascidos na unidade naquele dia.
Como hospitais evitam a troca de bebês
Exames de DNA podem revelar situações inusitadas, como trocas de bebês, mas também familiares desconhecidos. Um exemplo é a cineasta que descobriu ser neta do infame Chales Manson.
Presente de Natal
A história começou em 2024, quando Kyle escolheu um teste doméstico de DNA durante uma troca de presentes de Natal. O objetivo era conhecer melhor suas origens, mas os resultados revelaram detalhes até demais.
O resultado conectou Kyle a uma mulher identificada pela plataforma genealógica como sua tia biológica. O problema era que ela pertencia à família de Jeremy Morrison, um homem que Kyle não conhecia.
Diante desse resultado inusitado, Jeremy decidiu ceder uma amostra genética para o banco de dados. A surpresa foi ainda maior quando os novos resultados conectaram-no à família Bylin, que criou Kyle desde o nascimento.
“Foi quando minha cabeça simplesmente explodiu. Nunca poderíamos imaginar que uma troca de bebês realmente tivesse ocorrido.”
afirmou Kyle Bylin à Associated Press
Pista nos pulsos
Além dos testes genéticos, Kyle afirma conservar uma pulseira entregue pelo hospital desde a época de seu nascimento. O objeto apresenta o nome Kyle Bylin, embora ele seja biologicamente filho do casal Morrison.

Jeremy disse que sempre se sentiu fisicamente diferente dos parentes. Ele tinha cabelos loiros em uma família formada principalmente por pessoas de cabelos castanhos, mas nunca considerou a possibilidade de uma troca.
A confirmação ganhou força quando Jeremy viu uma fotografia do irmão biológico de Kyle. A semelhança entre os dois foi imediata, segundo o relato apresentado após os resultados dos exames.
Processo contra hospital
As famílias entraram com uma ação judicial, que foi protocolada em 7 de julho de 2026 no Tribunal Distrital do Condado de Walsh. Além de Kyle e Jeremy, os dois casais que os criaram participam do processo contra o Unity Medical Center.
Entre as alegações apresentadas pelas famílias estão:
- negligência e erro médico;
- sofrimento emocional causado pela descoberta;
- falha em identificar ou corrigir a suposta troca.

Defesa do hospital
O hospital contesta a acusação. Em sua resposta judicial, a instituição afirmou que seus funcionários atuaram com cuidado adequado e pediu que o processo seja encerrado definitivamente.
Em nota, o Unity Medical Center reconheceu que os homens aparentemente foram separados de seus pais biológicos em algum momento. Porém, afirmou não ter encontrado evidências de responsabilidade da instituição.
O hospital explicou que os prontuários e documentos de escala que poderiam esclarecer o episódio já não existem. Nenhum integrante da equipe que trabalhava nos partos continua empregado na unidade.
“Reconhecemos o profundo impacto que essa descoberta teve sobre eles e suas famílias.”
declarou o hospital. A instituição acrescentou que o intervalo de quase quatro décadas limita a investigação
Para o advogado Tim O’Keefe, representante das famílias, o processo foi apresentado após cerca de um ano de tentativas de negociação de um acordo financeiro com o hospital.
Descoberta não apaga família que os criou
Apesar da mudança biológica, Jeremy afirma que continua reconhecendo Elizabeth O’Toole e Terry Morrison como seus pais. Ele considera que o resultado não altera a infância nem os vínculos construídos.
“Eu fui amado. Pratiquei esportes. Fui bem na escola. Um teste de DNA não vai apagar 38 anos de memórias.”
afirmou Jeremy à Associated Press.
Kyle e Jeremy já conheceram seus respectivos pais biológicos. Os encontros foram descritos como acolhedores, porém constrangedores, diante da tentativa de formar relações familiares depois de tanto tempo.
Os dois homens ainda não se encontraram pessoalmente, embora já tenham conversado por telefone. As famílias procuram manter os vínculos anteriores enquanto conhecem parentes que deveriam ter participado de suas vidas.
Evelyn Newton, que criou Kyle, disse que ele continuará sendo seu filho. Ao mesmo tempo, afirmou sentir que perdeu momentos importantes da vida de Jeremy, seu filho biológico.
“Você não pode voltar e substituir 35 anos. Primeiros passos, dirigir um carro, se casar: como compensar isso?”
questionou Evelyn à Associated Press.
Testes de DNA podem abalar identidade
Um estudo publicado em 2025 na BMC Psychiatry ouviu 52 adultos que descobriram que um dos pais que os criou não era seu genitor biológico. Os relatos mostraram que a informação pode romper a narrativa pessoal construída desde a infância e mantida por décadas.
Os participantes descreveram luto por parentes que talvez nunca conhecessem, dúvidas sobre identidade étnica ou cultural e sensação de terem vivido com uma versão incompleta da própria história. O impacto alcançou também hábitos, comunidades e formas de pertencimento.
Em vários casos, o sofrimento aumentou quando familiares negaram, esconderam ou minimizaram a descoberta. Já o contato com parentes biológicos nem sempre trouxe acolhimento, pois houve relatos de rejeição, silêncio prolongado e vínculos difíceis de construir.







