Balneário Camboriú abre novos corredores para arranha-céus e pode levar prédios de 150 metros aos bairros

Nova regulamentação permite a criação de arranha-céus nos bairros para diminuir o adensamento urbano na beira-mar

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Especialista aponta que mudança pode atrair incorporadoras, diversificar oferta de imóveis e antecipar a valorização de novos bairros (Foto: Bruno Cassola, Divulgação)

Famosa pelos arranha-céus à beira-mar, que deram à cidade o apelido de “Dubai brasileira”, Balneário Camboriú agora pode levar os gigantes também para os bairros. A possibilidade está prevista na nova Lei do Microzoneamento, aprovada no mês de julho, que amplia o potencial construtivo em novos eixos da cidade e permite a construção de prédios de até 150 metros longe da região central e da orla.

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A mudança deve abrir novas frentes para incorporadoras e investidores e estimular o desenvolvimento de áreas que até então estavam fora do radar para os grandes empreendimentos. O novo Microzoneamento mantém o sistema de outorga onerosa, que permite ampliar o potencial construtivo dos terrenos mediante uma contrapartida financeira das incorporadoras.

Somente em 2025, Balneário Camboriú arrecadou R$ 135 milhões com as outorgas. O formato representa uma fonte de recursos para o município e prevê que os valores pagos pelas incorporadoras sejam destinados ao financiamento de obras de infraestrutura urbana e mobilidade.

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Prefeitura busca expandir o crescimento vertical em diversas áreas da cidade

Além de redistribuir o potencial construtivo, a nova legislação incentiva projetos em terrenos maiores e permite empreendimentos que combinem residências, comércio, serviços e áreas de convivência. A expectativa é que o crescimento vertical, hoje concentrado principalmente na região central e na orla, avance para novos corredores da cidade.

Para o especialista em investimentos imobiliários Bruno Cassola, a mudança amplia as possibilidades de desenvolvimento dentro do próprio município. Segundo ele, terrenos que antes eram subutilizados podem passar a despertar o interesse de incorporadoras e investidores.

“Terrenos que eram subutilizados passam a incorporar novas possibilidades de desenvolvimento. Isso tende a atrair incorporadoras, estimular a formação de áreas maiores, de novos negócios e antecipar movimentos de valorização em endereços e bairros que ainda não estavam no radar dos investidores”, destaca.

Mudança pode alterar o perfil dos imóveis mais buscados por consumidores

A expansão também pode diversificar o perfil dos imóveis disponíveis em Balneário Camboriú. A expectativa é abrir espaço para unidades mais compactas, projetos de uso misto e empreendimentos voltados à moradia permanente, locação e investimento, como apartamentos de duas suítes e cerca de 90 metros quadrados. .

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Atualmente, unidades com esse perfil são menos comuns nas áreas beira- mar e na região central, onde os imóveis têm valores mais elevados. Segundo Cassola, apartamentos desse padrão poderiam chegar aos novos corredores com preços entre R$ 1,6 milhão e R$ 1,8 milhão, dependendo da localização, do padrão do empreendimento e do custo do terreno.

A Lei do Microzoneamento, que regulamenta, na prática, as diretrizes estabelecidas pelo Plano Diretor, abre uma oportunidade relevante, mas não elimina a necessidade de analisar cada endereço. Os projetos com maior capacidade de valorização serão os que combinarem viabilidade imobiliária, infraestrutura e integração com a cidade. Balneário Camboriú inicia um novo capítulo de crescimento, e o resultado dependerá da qualidade das escolhas feitas a partir de agora.

Com a ampliação do potencial construtivo, a cidade passa a ter novas áreas para receber grandes empreendimentos e pode descentralizar o adensamento urbano que hoje se concentra na orla e na região central. Ao mesmo tempo, a mudança cria novas possibilidades de arrecadação por meio das outorgas e amplia o espaço para diferentes perfis de imóveis.