Boi entre os mais velhos do país foi vendido para açougue, recuperado pelo dono e viveu até os 33 anos como parte da família

Bovinos eram bem cuidados e tratados como parte da família, o NSC entrou em contato com o dono dos animais

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Vídeo despede e homenageia Tigrinho e a lembrança dos 33 anos de história do animal em Santo Antônio de Lisboa (Foto: Divulgação)

O boi Tigrinho de 33 anos morreu no último domingo (16), o animal morava em Santo Antônio de Lisboa, em Florianópolis, e era considerado um dos mais velhos do país. A morte foi anunciada pelo proprietário, Fausto Agenor de Andrade, pelo Instagram. O animal passou por várias cidades no estado durante os anos, o NSC Total conversou com exclusividade com Fausto para relembrar a trajetória do animal.

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Veja a postagem em homenagem ao Tigrinho:

(Vídeo: @raízes_assorianas_oficial)

“É com uma tristeza que eu passo para este Brasil amado, este estado de Santa Catarina querido, a morte deste animal que foi tratado com tanto amor, tanto carinho. E parece assim, um da família que está partindo”, disse o proprietário no vídeo divulgado.

Tigrinho ficou conhecido nas redes socias como dupla do boi Tigrão, outro animal que faleceu em 2025. Os dois faziam sucesso na internet por divulgação do dono e parceria de Junior Branco, que posta os vídeos no Instagram @raizes_assorianas_oficial.

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Segundo Fausto, os animais eram parte da família, já não trabalhavam e nem serviriam para abate.

De acordo com o Boi Saúde, em condições favoráveis, os bovinos podem viver entre 18 e 22 anos, entretanto Fausto comentou que quando criados para o abate, os animais costumam viver em média três a quatro anos.

“Se encontrar um boi aí de 5, 6 anos, já é boi velho. O açougue não quer mais”, mencionou.

Animal era parte da família

“Ele ficou 22 anos só na minha mão. Com quem ele ficou mais tempo foi comigo. Quem mais deu carinho foi eu. Quem menos trabalhou foi comigo”, afirmou o dono.

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Segundo Fausto, ele cuidava dos bichos como se fosse um cachorrinho da família e não via eles como fardo de trabalho e muito menos para alimentação.

“Ele só fazia apresentação de boi de mamão, apresentação no casarão Engenho dos Andrade, e participação de carreata de festa do Divino aqui de Santo Antônio. Foi um boi que deu muita alegria à nossa comunidade”, contou.

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Tigrão e Tigrinho, a dupla bovina

Tigrinho fazia uma parelha de bois com Tigrão, outro bovino de Fausto. Tigrão e Tigrinho eram irmãos com mesmo pai, mas vacas-mãe diferentes. Ambos nasceram em 1993 com o objetivo de ser uma dupla para serviço. A condição é conhecida como parelha de bois, ou seja, a dupla de bovinos que conduzem carroças e arados pelo campo, estando unidos por um pedaço de madeira colocado na cabeça ou pescoço do animal.

O parceiro, Tigrão, morreu ano passado em 16 de março de 2025.

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Bois colecionam histórias curiosas ao longo dos 33 anos

Fausto afirmou que não foi ele quem cuidou dos bois desde o início, e que a trajetória dos animais é longa. O primeiro dono morava na Serra do Rio do Rastro e ficou com eles por oito anos, onde foram domesticados e domados.

Depois deste período, os bichos foram vendidos algumas vezes, Fausto listou todas as cidades onde Tigrinho morou antes de chegar até ele:

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“Ele passou por Tubarão, por Armazém, veio para Garopaba, passou em Paulo Lopes, teve em Santo Amaro da Imperatriz, depois veio para Três Riachos, foi para Antônio Carlos, veio para Imbituba, veio para Itajuçá, voltou para Santo Amaro da Imperatriz e veio para minha mão”, disse.

Segundo o dono, foram 22 anos cuidando dos bois em Florianópolis. Mas imprevistos ocorreram no caminho e Fausto precisou largar os animais algumas vezes.

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Após os primeiros oito anos cuidando de Tigrão e Tigrinho, Fausto ficou doente e precisou ser internado. Para não abandonar, ele vendeu os bovinos. Só que o que ele não esperava era que a pessoa que comprou os animais levaria eles para um açougue.

“A pessoa que comprou, mandou para o açougue em Itajuçá para matar. Eu fiquei melhor, fui lá, peguei de volta e trouxe para cá”, comentou.

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Outra situação inesperada aconteceu em 2021 quando ambos os bois foram furtados.

A polícia Militar encontrou os bovinos na Avenida Beira-Mar Norte, junto à um homem que afirmou que os bois eram de seu tio, mas não tinha documentação para comprovar.  

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*Sob Supervisão de Nicoly Souza