Cachorra é encontrada queimada e com larvas em lixão, mas história comove e jornalista percorre 308km para adoção

Natural de Jaraguá do Sul, Yonne Igrejas percorreu cerca de 308 quilômetros duas vezes para conhecer e, depois, buscar Esperança em Tubarão, no Sul catarinense

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Esperança ganhou um novo lar após Yonne viajar cerca de cinco horas para buscá-la em Tubarão (Foto: Arquivo pessoal, Reprodução)

Foram cerca de cinco horas de estrada entre Jaraguá do Sul e Tubarão até que Yonne Igrejas pudesse voltar para casa acompanhada de Esperança. A cadelinha, encontrada gravemente ferida após ser vítima de maus-tratos, chamou a atenção da jornalista por meio de uma publicação no Instagram. O que começou como uma preocupação à distância terminou em adoção.

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Yonne acompanhou a recuperação da cadelinha durante quase dois meses. Nesse período, conversava com Marcos Roberto Melo, voluntário responsável pelo resgate, para saber sobre o tratamento e as cirurgias. No início, ela não planejava adotá-la. Queria apenas que Esperança sobrevivesse.

“Aos poucos, fui percebendo que ela iria se curar. E qual seria o destino dela? Provavelmente o abrigo. Depois de tudo o que passou, ela merecia um lar sereno e com muito amor”, contou.

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No dia 15 de agosto, Yonne decidiu percorrer  aproximadamente 308 quilômetros, distância que separa Jaraguá do Sul de Tubarão, para conhecer a cadelinha. A viagem durou cerca quatro horas. O encontro foi suficiente para transformar a preocupação em amor.

“Eu me apaixonei, mas tive medo, pois tenho outro cachorro adotado e ele é bem grande. Só que não tinha mais o que fazer. Ela já tinha ganhado meu coração”, relembrou.

Oito dias depois, em 23 de agosto, Yonne encarou novamente a estrada. Desta vez, acompanhada do primo e com a certeza de que Esperança voltaria com eles. Considerando o trajeto de ida e volta, foram mais de 600 quilômetros percorridos até que a cadelinha chegasse ao novo lar.

A volta, que levou cinco horas, não foi fácil. Ainda assustada, Esperança passou mal e vomitou durante o caminho. O desconforto, porém, ficou para trás assim que ela começou a entender que estava segura.

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Ela se adaptou muito bem com todos da casa, humanos, felinos e caninos. Hoje está muito bem”, afirmou Yonne.

Esperança foi encontrada com queimadura e larvas

Vítima de maus-tratos, Esperança foi localizada em um lixão, atrás de uma residência em Tubarão. Conforme o voluntário Marcos Roberto Melo, uma denúncia apontou que água quente teria sido jogada sobre a cadelinha.

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Ferida, ela se escondeu em uma área de mata e permaneceu no local por alguns dias. Quando reapareceu em busca de comida, apresentava uma extensa lesão, com tecido necrosado, infecção e larvas.

“No primeiro momento, a gente achou que ela não sobreviveria. Quando eu a resgatei, ela não conseguia levantar” relatou Marcos, que trabalha voluntariamente há 14 anos no resgate de animais vítimas de maus-tratos.

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A cadelinha permaneceu internada por mais de 30 dias e passou por duas cirurgias. O tratamento foi custeado por doações, e o grupo ainda tenta arrecadar cerca de R$ 6 mil para quitar as despesas veterinárias.

O nome Esperança foi escolhido ainda no momento do resgate, quando as chances de sobrevivência pareciam pequenas. “Ela lutou pela vida e a gente lutou por ela”, resumiu Marcos.

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Medo do escuro e fome constante

Apesar de estar recuperada e adaptada à nova família, Esperança ainda carrega marcas do período de abandono. Segundo Yonne, a cadelinha demonstra medo do escuro e está sempre com fome.

Os traumas são enfrentados aos poucos, com paciência e carinho. No novo lar, ela também divide a rotina com outros animais adotados. “Esperança sofreu demais nas mãos de seres desumanos, mas nunca perdeu a ternura. Ela é um anjinho”, disse a tutora.

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MPSC cobra políticas de proteção animal em Tubarão

O caso ocorre em meio a questionamentos sobre as políticas públicas de bem-estar animal em Tubarão. O Ministério Público de Santa Catarina ajuizou uma ação civil pública contra o município para cobrar a execução das medidas já previstas na legislação.

A apuração identificou falhas no atendimento a animais errantes, na fiscalização de maus-tratos, no controle de animais comunitários e na implantação da microchipagem obrigatória de cães e gatos.

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Entre as medidas solicitadas estão a criação de um fluxo permanente para receber denúncias, a designação de fiscais capacitados, a ampliação dos serviços veterinários e a realização periódica de programas de castração. O MPSC também pede que o município apresente e execute um plano de ação para a área.