Por alguns dias, Mandeep Singh Maan carregou um segredo capaz de mudar uma vida inteira. O caminhoneiro havia descoberto que um pequeno bilhete comprado em um posto de gasolina valia C$ 2 milhões, cerca de R$ 7,5 milhões.
Ele contou à mulher. Depois, decidiu manter a notícia em sigilo. O problema foi que um cheque de C$ 2 milhões é difícil de esconder. Poucos dias depois, uma fotografia publicada pela loteria mostrou Maan segurando o enorme comprovante. E algumas pessoas reconheceram imediatamente aquele rosto.
Eram seus colegas de uma empresa de transporte e armazenagem na Colúmbia Britânica, no Canadá. Quatro deles compartilhavam com Maan algo que, até aquele momento, parecia inofensivo: um bolão informal feito no trabalho que acabaria gerando uma grande disputa.
O que pode dar errado em um bolão informal
Sorte vira processo
Maan era caminhoneiro de trajetos curtos e havia apostado anteriormente com seus colegas: Balvinder Kaur Nagra, Sukhjinder Singh Sidhu, Binipal Singh Sanghera e Jeevan Pedan. O grupo reunia dinheiro e comprava bilhetes de diferentes loterias.
Quando encontraram a fotografia, os colegas inicialmente parabenizaram Maan pelo prêmio. Depois, porém, começaram a fazer outra conta: e se aquele bilhete de C$ 2 milhões tivesse sido comprado com dinheiro do grupo?
A dúvida rapidamente abandonou o ambiente de trabalho e chegou aos tribunais. Os quatro colegas alegaram que contribuíam regularmente para as apostas e que Maan deveria ter comprado bilhetes para todos naquela ocasião.
Maan apresentou uma versão diferente. Disse que os bolões aconteciam de forma esporádica e que também tinha o costume de apostar sozinho com o próprio dinheiro. Para ele, o bilhete premiado nunca havia pertencido aos colegas.

Doze dólares
Em 15 de agosto de 2022, Maan passou por um posto Chevron em Langley e gastou C$ 12 em apostas. Entre elas estava o BC/49 que acertaria os números sorteados dois dias depois.
O valor acabou se tornando um ponto importante no processo, porque as apostas coletivas descritas pelos colegas normalmente movimentavam de C$ 40 a C$ 50. Para a juíza Y. Liliane Bantourakis, o valor combinava melhor com uma compra individual.
Também havia outro problema para os colegas: não existiam regras escritas ou formalizadas. Ninguém era responsável permanentemente pelos bilhetes, os participantes podiam variar e as decisões sobre quando apostar eram tomadas informalmente.
Prêmio sem amigos
Em 10 de janeiro de 2025, a Suprema Corte da Colúmbia Britânica encerrou a disputa. No processo Nagra v. Maan, a juíza concluiu que os colegas não conseguiram demonstrar que dinheiro coletivo financiou o bilhete vencedor.
Também não ficou comprovada a existência de um contrato verbal obrigando Maan a apostar regularmente pelo grupo. Assim, os C$ 2 milhões permaneceram integralmente com o caminhoneiro. Os autores ainda ficaram sujeitos aos custos do processo.
A fortuna, porém, trouxe uma consequência resumida por Bantourakis. Segundo a juíza, ganhar na loteria deveria ser um acontecimento feliz, mas naquele episódio havia destruído relacionamentos.
Maan continuou trabalhando na mesma empresa após a disputa.






