Quando funcionários do hospital levaram Debbie Harding ao quarto do marido, os dois deram as mãos e choraram. Roger, de 76 anos, e Debbie, de 73, não se viam desde a colisão frontal que interrompeu a viagem organizada para comemorar 55 anos de casamento.
O reencontro aconteceu dois dias depois do acidente, enquanto ambos recebiam tratamento para múltiplas fraturas.
Moradores de Olympia, no estado americano de Washington, eles haviam reservado quatro dias para celebrar o aniversário de casamento em McCall, no Idaho. Uma hospedagem próxima a um lago chamou a atenção de Debbie, que viu no destino a oportunidade de descansar com o marido e conhecer uma região onde nunca tinham estado.
Durante a estadia, o casal decidiu fazer um passeio até Boise. Na manhã de 22 de setembro, porém, outro veículo invadiu a faixa por onde Roger dirigia.
Em entrevista à People, ele contou que tudo aconteceu rapidamente: em um instante, seguia pela estrada; no seguinte, tentava evitar o carro que vinha em sua direção.
A viagem interrompida
Segundo as informações da Polícia Estadual de Idaho citadas na reportagem, um Chevrolet Malibu conduzido por um homem de 24 anos atravessou para a pista contrária na rodovia estadual 55, ao norte de Cascade. O automóvel atingiu de frente o Ford Escape dos Harding. As circunstâncias da colisão ainda estavam sob investigação.
Debbie relatou que o marido desviou o máximo que conseguiu para a direita, mas não evitou o impacto. O veículo do casal acabou em uma vala, onde os dois permaneceram feridos, com dores e alternando momentos de consciência.
Ao olhar ao redor, ela via os airbags acionados e o para-brisa destruído. Também percebeu que um dos pés começava a inchar dentro do sapato e que havia sofrido um corte em um dos polegares. Assustada, repetia que queria sair do carro.
Um homem que testemunhou a batida se aproximou e se ajoelhou ao lado do veículo para ajudá-la. Poucos minutos depois, os socorristas chegaram. Ambulâncias levaram Roger e Debbie a um hospital, enquanto o motorista e um passageiro do outro carro seguiram de helicóptero para atendimento.
A notícia para a filha
Jenny Fitch, filha do casal, soube do acidente por uma ligação de um policial que estava no local. Assim que recebeu a notícia, saiu em direção a Meridian para acompanhar os pais. Foram quase seis horas de estrada sem saber exatamente o que encontraria.
À People, Jenny contou que a família havia recebido a informação de que os dois estavam estáveis, mas ainda desconhecia a extensão dos ferimentos. A espera por detalhes tornou o trajeto especialmente difícil.
As lesões eram numerosas. Conforme o relato divulgado pela filha em uma campanha de arrecadação, Roger sofreu um ferimento grave na região entre a coluna e a pelve, além de fraturas no esterno e em um dos calcanhares. Debbie fraturou a mão direita, o esterno e os dois tornozelos, além do corte no polegar.
Mãos dadas no hospital
Dois dias depois da colisão, a equipe hospitalar organizou a visita de Debbie ao marido. Funcionários a acomodaram em uma poltrona e a levaram até o quarto de Roger. Mesmo com as limitações provocadas pelos ferimentos, os dois conseguiram se aproximar e segurar as mãos.
Debbie recordou o choro de ambos naquele primeiro contato. A cena, registrada em fotografia, mostra o casal lado a lado durante a internação, ainda cercado pelos cuidados necessários à recuperação.
Roger também contou à People sobre uma conversa que tiveram no hospital. Disse à mulher que lamentava precisarem enfrentar aquela experiência, mas encontrava conforto em saber que poderiam passar por ela juntos.
Depois de aproximadamente uma semana e meia de internação, os Harding seguiram para uma unidade de reabilitação em Boise. A etapa exigiu esforço dos dois para lidar com as consequências das fraturas e avançar até a alta, concedida em 13 de outubro.
Recuperação em família
Desde então, o casal passou a ficar na casa de Jenny, em Spokane. Na ocasião da entrevista, a previsão era permanecer com a filha pelo menos até o feriado americano de Ação de Graças, enquanto davam continuidade às consultas e à fisioterapia.
Roger utiliza cadeira de rodas e andador. Debbie precisa de andador e botas ortopédicas. Para Jenny, acompanhar os pais nessa condição tem sido difícil, sobretudo porque ambos sempre mantiveram uma rotina independente e cheia de atividades.
Aos 73 anos, Debbie ainda trabalha em período integral. Roger, aposentado e habituado a andar de bicicleta, já atravessou os Estados Unidos pedalando duas vezes. A mais recente dessas viagens aconteceu oito anos antes do acidente.
Mesmo diante das limitações, Jenny destacou a disposição dos pais durante o tratamento. Segundo ela, os dois se dedicaram à recuperação tanto no hospital quanto na reabilitação, e mantiveram uma atitude positiva ao longo desse período.
Debbie também encontrou espaço para brincar com os próximos planos do casal. Ao ser questionada sobre uma nova comemoração para compensar a viagem interrompida, respondeu que, no aniversário de 56 anos de casamento, pretende ficar em casa.



