Após aproveitas as férias em Balneário Camboriú, o retorno para casa se transformou em um momento de ódio e ataques homofóbicos. Um casal que estava retornando para casa durante uma viagem de ônibus entre Balneário Camboriú e São Paulo, logo após o Ano Novo, passaram por um momento constrangedor e cheio de ofensas.
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A situação ocorreu quando uma passageira, não identificada, acusou os dois rapazes de molhar suas bagagens e proferiu uma série de ofensas homofóbicas.
As vítimas, Wellington Gabriel dos Santos, programador, e seu companheiro, o cabeleireiro Ailton Flávio da Silva, registraram em vídeo as agressões verbais. Na gravação, a mulher é ouvida chamando-os de “viado” e “bibas”.
“Essas bibas do c******, nem para avisar. Filhas da p***. Duas biba ali atrás, nem para avisar”, declarou a passageira em tom agressivo no vídeo.
Segundo Wellington, o conflito começou após a mulher alegar que um líquido derramado no chão do ônibus havia molhado suas bagagens. Ela os acusou de forma agressiva, embora o casal negasse carregar qualquer bebida.
— A mulher nos acusou, de forma agressiva e falsa, de termos derramado uma bebida em seus pertences, que estavam abaixo do assento dela — explicou Wellington. Ele também acrescentou que, mesmo após esclarecimentos, a passageira insistiu nas acusações e continuou com as humilhações.
O episódio desencadeou uma crise de ansiedade em Ailton, que já fazia terapia para tratar transtornos de ansiedade e pânico.
— Ele começou a chorar e teve grande dificuldade em se acalmar — disse Wellington.
No vídeo gravado pelas vítimas, é possível ouvir a mulher conversando com o motorista, que informou que o casal não foi responsável pelo incidente. Mesmo assim, a passageira reagiu de forma desdenhosa, dizendo apenas: “Acontece”.
Vídeo mostra ataques homofóbicos
Vítimas fizeram BO em São Paulo
As vítimas registraram um boletim de ocorrência no 50º Distrito Policial, no Itaim Paulista, enquadrando o caso na Lei 7.716/89, que trata de crimes de preconceito. Apesar de a lei não mencionar explicitamente homofobia, ela tem sido utilizada para casos de discriminação contra a comunidade LGBTQIA+ devido à decisão do STF que equiparou homofobia ao crime de racismo em 2019.
Além disso, o casal contratou um advogado para processar a empresa de transporte e exigir a identificação da mulher responsável pelas agressões. “Meu marido está passando com a psicóloga para tratar os gatilhos, mas passa bem”, informou Wellington.
A empresa responsável pela viagem postou em sua rede social uma nota de repúdio e um comunicado sobre o ocorrido:
A nota diz que a “Auto Viação Gadotti repudia todo e qualquer ato de homofobia e preconceito”, e diz ainda que empresa é “comprometida com os valores de respeito, igualdade e inclusão social e “valorizamos a diversidade e reforçamos que atitudes discriminatórias não serão aceitas em nossa empresa”.
Em seguida, um comunicado da empresa afirma que “o motorista não presenciou os fatos, pois estava conduzindo o ônibus, com a responsabilidade de levar os passageiros ao seu destino, entre a cabine do motorista o local onde ficam os passageiros, não existe visualização pelo motorista, quando o motorista tomou conhecimento dos fatos, as partes envolvidas (passageiros), já haviam conversado e cada um iria dar os encaminhamentos pertinentes ao ocorrido. Mais uma vez a empresa lamenta o ocorrido entre os passageiros e reforça o seu compromisso de respeito à todos os passageiros”.
*Com informações do g1.
