Casarão de 1900 à venda por R$ 8 milhões em SC guarda lago, jardins e detalhes preservados

Imóvel tombado no Centro de Blumenau pertenceu a engenheiros ligados à ferrovia catarinense e reúne mais de um século de histórias de uma família tradicional da região

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Foto aérea de drone mostrando o casarão histórico da Rua Alwin Schrader em Blumenau. A imagem revela um grande terreno arborizado com um casarão de dois andares ao fundo, jardins ao redor, um lago privativo próximo à residência e um extenso pátio pavimentado na parte frontal, capaz de estacionar cerca de 100 veículos. A propriedade é tombada pelo patrimônio histórico e está cercada por outras construções típicas da região central da cidade.

Construída em 1900, residência preserva características originais, tem lago privativo e busca um novo proprietário após mais de cinco anos à venda (Foto: Patrick Rodrigues, NSC Total)

A fachada já impressiona, mas é no interior que se percebe que o tempo não apagou os traços originais da edificação de 1900. Localizado no Centro de Blumenau, um casarão histórico procura um novo dono por R$ 8 milhões. Além das dimensões e do porte da construção, a propriedade guarda a memória de várias gerações de uma família cujos sobrenomes ainda ecoam na região.

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Uma placa na frente do imóvel, que é tombado, revela aos visitantes: em 1920, o terreno pertencia a Joaquim Breves Filho, engenheiro do Rio de Janeiro que veio para a cidade para coordenar a construção da Estrada de Ferro de Santa Catarina. No entanto, cerca de uma década depois, o proprietário já era outro. Oscar Barcellos, engenheiro e oficial militar, também oriundo do Rio de Janeiro, adquiriu a área de 19,6 mil metros quadrados para atuar no planejamento da via férrea catarinense.

Veja fotos do casarão histórico à venda por R$ 8 milhões

Conforme documentos históricos, foi ele quem sugeriu estender a linha até Itajaí e em direção à Serra. A relevância do militar como diretor foi tão grande que a Estação Ferroviária de Rio do Sul está localizada na avenida que leva seu nome. O êxito do coronel, contudo, não se limitou à carreira. Casado com Florence, teve três filhas: Avany, Aracy e Iracema. Aracy faleceu jovem. Já a mais velha teve seu nome gravado no alto da casa, onde se lê “Vila Iracema”.

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Sete salas e quatro dormitórios

A arquitetura da casa segue o modelo vila, ou seja, uma morada situada no fundo do lote, cercada por jardins. Além do estacionamento com capacidade para 100 veículos, a área externa conta até com um lago particular, construído pelo genro de Oscar, Oswaldo Moellmann. Internamente, nos 220 metros quadrados de área construída, distribuem-se sete salas, quatro dormitórios, três banheiros, cozinha e porão, divididos em três pavimentos.

Iracema se casou com o empresário Oswaldo Arthur Moellmann em 1932 e continuou vivendo no casarão com os pais. Dessa união nasceram Aracy e Ignez. Avany também se casou e teve um filho. Dos três primos, somente Ignez ainda está viva. Aos 87 anos, ela conserva vivas memórias afetivas da época em que residia na “Vila Iracema”:

Ele era gentil, gostava muito da casa. Ela tinha um jardim muito bonito, com muita fruta, descreve.

Reforma há mais de 80 anos

Nos anos 1940, Ignez conta que a casa passou por uma grande reforma e mudou bastante. O tempo foi passando e, quem seguiu os passos da mãe foi a irmã dela, que permaneceu morando no local mesmo depois de casada. Aracy, o marido e os cinco filhos foram os últimos da família a permanecer no imóvel. Perto dos anos 1970, eles se mudaram para o Rio Grande do Sul.

Àquela altura os pais dela já haviam falecido e Ignez havia ido embora para o Rio de Janeiro com o marido, com quem teve quatro herdeiros.

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Vazio, o imóvel passou a ser alugado. Foi sede, inclusive, do Sindicato das Indústrias de Fiação, Tecelagem e do Vestuário de Blumenau e Região (Sintex). Tanto a residência quanto o lago são tombados pelo patrimônio histórico do Estado, o que força algumas exigências ao futuro dono, como preservá-lo.

Ignez revela que a família tenta vendê-lo há mais de cinco anos, já que ela e os parentes não possuem mais ligação com Blumenau. Apesar disso, têm carinho pela cidade onde nasceram.