Caso de canil clandestino com 220 cães de raça ganha novo capítulo em Joinville

Caso foi descoberto em março de 2024 e teve novo desdobramento mais de um ano depois

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Cães de raça resgatados no canil clandestino (Foto: Fernanda Silva, A Notícia)

O caso do canil clandestino, onde foram resgatados mais de 220 cães de raça em condições de maus-tratos, ganhou um novo capítulo. Pouco mais de um ano após o crime, o Ministério Público pediu em uma ação que os donos do local paguem mais de meio milhão de reais em multa.

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A investigação teve início após a promotoria do Ministério Público receber uma denúncia de que uma grande estrutura, em área de preservação ambiental, estaria sendo usada para a reprodução de animais. A partir disso, o MP e as polícias Civil e Científica realizaram uma operação de resgate em março de 2024.

Veja fotos dos animais resgatados do canil clandestino no ano passado

De acordo com a delegada Tânia Harada, além da situação de maus-tratos a animais domésticos e silvestres, havia indícios da prática de poluição no local. Isso porque o canil foi construído ao lado de um rio, local onde dejetos são descartados irregularmente. Também estariam sendo feitos descartes irregulares de resíduos sólidos no local.

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Além do lixo, foram encontradas medicações veterinárias com prazo de validade vencido e diversos animais com doenças aparentes. A delegada também informou que o canil possuía mais de uma centena de animais utilizados como matrizes, ou seja, para a reprodução em massa, sendo que alguns destes cães estavam em estado de exaustão. 

“A alimentação servida aos animais estava em situação precária de higiene e acondicionamento. O casal preso em flagrante ainda comercializava alimentos no local, mesmo diante das condições deploráveis de higiene do ambiente”, informou a delegada na época. Os donos do local, um casal, chegaram a ser presos em flagrante. 

MP pediu pagamento de multa e outras sanções 

Como resultado da operação e da gravidade dos fatos, a 21ª Promotoria de Justiça ajuizou uma ação civil pública contra os acusados de manterem um canil clandestino em condições degradantes. Na ação, o Ministério Público pediu o pagamento de indenização por danos aos animais, no valor superior a R$ 715 mil, e por danos morais coletivos, no valor de R$ 50 mil, ambas a serem destinadas ao Fundo para Reconstituição de Bens Lesados do Estado de Santa Catarina (FRBL). A ação deve tramitar no Tribunal de Justiça.

Os valores das indenizações foram estabelecidos após perícia que considerou todos os fatos envolvendo os cães resgatados, o local onde estavam, as condições em que foram encontrados, as doenças identificadas e os tratamentos necessários. A avaliação também contemplou aspectos materiais, físicos e emocionais.

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Entre os pedidos na Ação Civil Pública (ACP) estão, ainda, a proibição de manter ou operar qualquer atividade envolvendo animais por pelo menos cinco anos, a perda definitiva da guarda dos animais apreendidos e o pagamento de multa diária em caso de descumprimento das obrigações impostas. 

— Os animais eram submetidos a sofrimento físico e emocional contínuo, em um ambiente que violava frontalmente os princípios constitucionais de proteção à fauna e à dignidade dos seres sencientes. A atuação do Ministério Público visa não apenas à responsabilização dos autores, mas também à reparação integral dos danos causados aos animais e à coletividade — disse a promotora de Justiça Simone Cristina Schultz.

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Para onde vai o dinheiro da multa

Em Santa Catarina, o dinheiro proveniente de condenações, multas e acordos judiciais e extrajudiciais por danos causados à coletividade em áreas como meio ambiente, consumidor e patrimônio histórico é revertido ao FRBL. O objetivo principal do fundo é custear projetos que previnam ou recuperem danos sofridos pela coletividade. O FRBL é administrado por um Conselho Gestor é presidido pelo MPSC e composto por representantes de órgãos públicos estaduais e entidades civis. Os representantes de órgãos públicos são permanentes e os de entidades civis são renováveis a cada dois anos, mediante sorteio público.

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