Caso de envenenamento por herbicida tem reviravolta em SC

Caso ocorreu no bairro Alto Aririú, em Palhoça, em 2023; familiares da vítima relatam relacionamento conturbado, mas filha fala sobre histórico de violência doméstica

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Mulher matou companheiro ao colocar herbicida na comida (Foto: Banco de Imagens)

A mulher que confessou ter envenenado o próprio marido com agrotóxico em Palhoça, na Grande Florianópolis, foi absolvida pelo Tribunal do Júri na segunda-feira (25). Eliziane Cavalheiro Dutra era acusada de matar o companheiro, Alexandre Dutra, com um herbicida misturado na comida da vítima. A própria ré admitiu o crime em depoimentos à polícia e durante o processo.

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Segundo a denúncia do Ministério Público de Santa Catarina (MPSC), o crime aconteceu em 31 de janeiro de 2023, na casa do casal, no bairro Alto Aririú, em Palhoça. Alexandre morreu em 7 de março daquele ano, após mais de um mês internado. Conforme o processo, exames periciais identificaram intoxicação exógena por agrotóxico herbicida do tipo pendimetalina — usada em herbicidas agrícolas para combater ervas daninhas — como causa que levou à morte da vítima.

O MPSC sustentava que Eliziane teria colocado o veneno de forma “velada” na comida do marido e apontava três qualificadoras para o homicídio: motivo torpe, emprego de veneno e recurso que dificultou a defesa da vítima. A acusação alegava que a mulher teria agido motivada por interesse financeiro, incluindo dinheiro guardado pela vítima e o recebimento de pensão por morte.

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Ainda segundo a denúncia, ao levar Alexandre para atendimento médico, Eliziane teria omitido a suspeita de envenenamento e informado à equipe hospitalar que ele era usuário de drogas e havia sofrido uma queda, o que, para o Ministério Público, teria atrasado o tratamento adequado.

Relacionamento dos dois era conturbado, dizem familiares

Durante a investigação, familiares de Alexandre afirmaram que o relacionamento do casal era conturbado. O irmão da vítima, Marcelo Dutra, disse em depoimento que Eliziane teria confessado o crime em uma ligação telefônica gravada. A delegada Débora Mariane Jardim confirmou no processo que o inquérito foi instaurado após a família apresentar o áudio à polícia.

O delegado Gustavo Gigliotti, responsável pela continuidade das investigações, afirmou que Eliziane confessou o envenenamento em depoimento na delegacia e relatou ter colocado “veneno de rato” na comida do marido.

Ao longo do processo, testemunhas ligadas à família de Alexandre relataram suspeitas de que o crime teria sido premeditado e motivado por dinheiro. Também afirmaram que Eliziane controlava a relação do marido com os familiares e que o casal vivia conflitos frequentes.

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Filha diz que pai era agressivo com Eliziane

Por outro lado, depoimentos apresentados pela defesa descreveram um histórico de violência doméstica. Daniela Dutra, filha do casal, afirmou que o pai era agressivo com a mãe e também com os filhos. Segundo ela, Alexandre agredia Eliziane fisicamente, fazia ameaças e mantinha armas e drogas em casa quando ela ainda era criança.

Profissionais do CREAS e do CAPS que acompanharam Eliziane também relataram que ela apresentava sofrimento psicológico e dizia sofrer violência constante do companheiro. Uma assistente social afirmou que a mulher relatava agressões, embora nunca tivesse apresentado boletins de ocorrência formais por medo do marido.

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Mulher disse que agiu por “não suportar” mais violências

No interrogatório, Eliziane confessou ter colocado veneno na comida de Alexandre, mas disse que agiu por estar “sobrecarregada” e por não suportar mais as agressões físicas, verbais e psicológicas. Ela afirmou que não planejou o crime e que se arrependeu após perceber que o marido passava mal, motivo pelo qual o levou à Unidade de Pronto Atendimento (UPA).

Antes do julgamento definitivo, a Justiça havia decidido pronunciar a acusada, ou seja, enviar o caso para análise do Tribunal do Júri. Na decisão, a juíza substituta Cíntia Werlang entendeu que havia provas da materialidade e indícios suficientes de autoria para que os jurados analisassem o caso.

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A defesa também pediu a instauração de incidente de insanidade mental, alegando que Eliziane sofria de transtornos psiquiátricos. O pedido foi negado pela magistrada, que considerou não haver elementos suficientes para comprovar inimputabilidade.

Nesta segunda-feira, os jurados decidiram absolver Eliziane. Até o momento, os fundamentos da decisão do Conselho de Sentença não foram divulgados.

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Ao NSC Total, o Tribunal de Justiça de Santa Catarina (TJSC) informou que cabe recurso da decisão junto ao órgão.

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