Centenário de Clarice Lispector é celebrado com lançamentos e eventos virtuais

Em 2020, livros da autora ganharam novas capas e conteúdo extra inédito

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Clarice Lispector se consagrou como uma das maiores escritoras de língua portuguesa de todos os tempos (Foto: Divulgação)

A data de 10 de dezembro de 2020 marca o centenário de Clarice Lispector: com seu estilo inimitável, a autora se consagrou como uma das maiores escritoras de língua portuguesa de todos os tempos. Em comemoração aos seus cem anos, novas edições de sua obra vem sendo lançadas desde o ano passado, com capas e conteúdo extra inéditos – os relançamentos serão encerrados pela publicação de A Hora da Estrela, pela editora Rocco, neste mês. A reedição tem posfácio de Paulo Gurgel Valente, filho de Clarice.

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“O leitor não deve imaginar que ao escritor compete apenas criar situações e personagens como se fossem enigmas a serem decifrados pelo leitor”, escreve Paulo na nova edição. “No caso de A Hora da Estrela, há um sentido claro e direto, sem mistérios: a vida é cruel, injusta e dramática para os excluídos do progresso na metrópole brasileira. Dito isso, o romance estaria pronto. No entanto, há muitos outros recursos – acredito que mais inconscientes do que propositais – usados pelo autor.”

Assinado pelo designer Victor Burton, o novo projeto gráfico dos livros traz nas capas recortes de telas feitas por Clarice, que pintou 22 quadros ao longo da vida. Na orelha dos títulos, o leitor encontra a íntegra da tela retratada na capa; como a obra Sem título, que ilustra o romance de estreia Perto do Coração Selvagem e pertence ao acervo da escritora Nélida Piñon, e o quadro Escuridão e Luz: centro da vida, que aparece na reedição de O Lustre. Na contracapa, a foto de Clarice corresponde sempre à década em que cada livro foi originalmente publicado.

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Os posfácios são escritos por grandes especialistas da literatura “clariceana”, como Nádia Battella Gotlib, Clarisse Fukelman, Benjamin Moser, Aparecida Maria Nunes, Ricardo Iannace, Marina Colasanti, Eucanaã Ferraz, Teresa Montero e Arnaldo Franco Junior. O cineasta Luiz Fernando Carvalho, diretor da adaptação para o cinema de A Paixão Segundo G.H., também assina um dos textos finais.

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Somando os livros póstumos, Clarice Lispector tem 18 obras publicadas. Seus títulos foram traduzidos para 32 idiomas e estão presentes em 40 países. A Hora da Estrela, sozinho, já vendeu mais de um milhão de exemplares dede 1998, quando foi publicado pela primeira vez.

A comemoração do centenário vai contar também com uma programação especial online. A quinta-feira, dia 10, começa com uma live promovida pela editora Rocco, às 11h, com a biógrafa de Clarice, Teresa Montero: Teresa está preparando o relançamento de Eu sou uma pergunta: uma biografia sobre Clarice Lispector em edição revisada e ampliada.

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Logo depois, será exibido um vídeo de Zélia Duncan fazendo uma leitura do livro Todas as Cartas, lançado em setembro deste ano. O editor da obra da autora na Rocco, Pedro Vasquez, também faz uma live, às 14h, sobre o trabalho de editar a literatura clariceana. Às 15h, no Facebook, será retransmitido o debate de Guiomar de Grammont com Nélida Piñon no Fórum das Letras de Ouro Preto.

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Ainda no 10 de dezembro, a editora lança um podcast inédito sobre A Hora da Estrela, com André Paes Leme e Laila Garin, diretor e atriz do musical. Às 19h, será exibido um mini documentário com Victor Burton sobre o novo projeto gráfico dos livros. Para fechar o dia, a vigília Clarice 100 Anos vai promover um sarau virtual com a participação do público, começando às 22h e seguindo madrugada adentro, com coordenação de João do Corujão.