A chuva dos últimos dias causou problemas com goteiras em pelo menos 10 escolas e creches de Blumenau. A empresa responsável pelo conserto afirmou que a prefeitura tem atrasado os pagamentos dos serviços desde o começo do ano. Ainda assim, manutenções emergenciais devem ser feitas, garantiu o governo municipal, que também detalhou que quitará a dívida pendente nesta terça-feira (1º).
Os problemas foram observados na segunda-feira (31), depois da cidade acumular em 24 horas volumes esperados para todo o mês. Assim, o último dia de agosto foi de muitos transtornos para alunos, pais e funcionários das unidades de ensino da rede municipal blumenauense.
Na Escola Helena Martha Winckler, na Velha, as goteiras foram na biblioteca. Professores retiraram os livros e cobriram os móveis. Já no CEI Arno Bernardes, na Fortaleza, o problema foi no refeitório, onde baldes foram usados para conter a água.
A situação foi pior no CEI Paulo Zimmermann, no Fidélis, que atende quase 200 crianças. Diversos espaços sofreram com infiltrações e ficaram comprometidos. A escola pediu para os pais ficarem com os filhos em casa.
— Eu tive que sair do trabalho para pegar as crianças com muita água aqui dentro. Tinha muita criança dentro de uma turma só. Minha bebê tem 10 meses. Tive que pegar minha bebê e levar embora. Fiquei com ela o dia inteiro, perdi o dia de trabalho. Porque querendo ou não, a gente fica preocupado — contou Adriana dos Santos.
O problema não é novo, segundo os pais. A maioria das salas só tem forro de PVC e a cada chuva as goteiras se multiplicam. A manutenção das 129 escolas e creches municipais é responsabilidade de uma empresa contratada pela prefeitura em 2023. A NSC teve acesso a um documento enviado pela empresa para a prefeitura cobrando pagamentos atrasados.
Instituições afetadas
- CEI Arno Bernardes
- CEI Paulo Zimmermann
- CEI Profª Leonides Westarb
- CEI Cilly Jensen
- CEI Elfrida Fischer
- CEI Maike Deeke
- EBM Machado de Assis
- EBM Profª Zulma Souza da Silva
- EBM Anita Garibaldi
- EBM Hella Altemburg
Pagamentos em atraso
No dia 18 de agosto deste ano, a SLM Construções e Serviços Sustentáveis enviou ofício para a Secretaria Municipal de Educação afirmando que já havia a comunicado formalmente sobre atrasos nos pagamentos quatro vezes: uma em março, duas vezes em junho e uma no início de agosto. A empresa alertou a secretaria que nenhum dos ofícios tinham sido respondidos e que os atrasos se agravam a cada mês.
Ainda de acordo com o documento, a prefeitura deve mais R$ 1,7 milhão. A SLM diz que não vai parar ou atrasar os trabalhos, mas que, diante da insegurança jurídica da situação criada e reiterada pela secretaria, só vai fazer os serviços com empenhos já legalmente emitidos. Ou seja, com recurso garantido pela prefeitura.
O que diz a prefeitura
A prefeitura disse que possui um saldo em aberto de R$ 609 mil com a SLM. Desse total, “o valor de R$ 248 mil, que se encontrava em atraso, está sendo integralmente quitado nesta terça-feira, dia 1º”, escreveu em nota a Secretaria de Educação. O saldo remanescente, no valor de R$ 361,5 mil, segue o cronograma financeiro e entrará no fluxo regular de pagamentos, com vencimento programado para o dia 30 de setembro, explicou o governo.
Ainda de acordo com a prefeitura, as instituições de ensino que apresentaram problemas na segunda estão contempladas no cronograma de manutenção da empresa.
