Cidade do interior guarda 14 mil chapas de vidro com imagens de famílias, ruas e imigrantes desde o século 19

Acervo do Museu Antropológico Diretor Pestana em Ijuí, no interior gaúcho, mostra a formação da cidade gaúcha a partir de 1890 e pode ser consultado on-line

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Acervo histórico de Ijuí reúne pouco mais de 14 mil negativos fotográficos em chapas de vidro, com registros de diferentes períodos da formação do município (Foto: Divulgação, Unijuí)

Muito antes dos filmes fotográficos e das câmeras digitais, registrar uma família, uma rua ou um acontecimento exigia placas de vidro preparadas para receber a imagem. Em Ijuí, no noroeste do Rio Grande do Sul, pouco mais de 14 mil negativos desse tipo atravessaram gerações e hoje ajudam a reconstruir a trajetória de uma cidade marcada pela chegada de imigrantes.

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O material está preservado no Museu Antropológico Diretor Pestana (MADP), mantido pela Fidene, que reúne registros da formação do município e da vida de seus moradores.

As imagens documentam transformações que vão muito além das construções. Retratos de famílias, cenas do cotidiano e vistas urbanas mostram como a antiga colônia se desenvolveu e como diferentes grupos ajudaram a construir a identidade local.

Um acervo em quatro coleções

Segundo o museu, as chapas de vidro estão distribuídas em quatro coleções: Família Beck, Eduardo Jaunsem, Luiz Germano Gieseler e a coleção Ijuí, com fotografias a partir de 1893. Elas fazem parte de um patrimônio fotográfico mais amplo, que inclui também fotografias em papel e negativos flexíveis.

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O material permite acompanhar a cidade por diferentes perspectivas. Há registros de paisagens urbanas e rurais, construções, atividades econômicas, cerimônias religiosas, encontros familiares e acontecimentos públicos.

Cada chapa é a matriz original da imagem. A partir dela, era possível produzir cópias em papel, processo que ajudou a multiplicar os registros fotográficos antes da popularização de outras tecnologias. Por serem de vidro, as placas também são frágeis e exigem cuidados de conservação.

A história registrada pela família Beck

Uma das coleções de destaque é a da família Beck, que fotografou Ijuí por quase nove décadas, de 1897 a 1985.

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Carlos Germano Beck, imigrante alemão, instalou-se no Rio Grande do Sul em 1896 e passou a viver na então Colônia Ijuhy no ano seguinte. A atividade de fotógrafo teve continuidade com os filhos. Alfredo Adolfo Beck, por exemplo, dirigiu o estúdio da família até 1980.

O conjunto inclui vistas urbanas, retratos feitos ao ar livre e em estúdio, e fotografias de família, com pistas sobre os costumes e a organização social de diferentes épocas.

A coleção também mostra como a fotografia se tornou uma fonte para estudar a ocupação do território. Cada imagem reúne informações sobre pessoas, espaços e práticas sociais que dificilmente poderiam ser reconstruídas apenas por documentos escritos.

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Imagens que mostram a cidade mudando

O acervo não se limita a retratos antigos. As fotografias também registram acontecimentos que marcaram a vida coletiva e as mudanças na paisagem urbana.

Uma das imagens da coleção Família Beck mostra a Rua do Comércio em 1902, um registro que permite comparar diferentes momentos do desenvolvimento de Ijuí.

Outras coleções preservam imagens de obras públicas, eventos esportivos e religiosos, atividades agrícolas e episódios ligados às condições naturais da região. O material de Luiz Germano Gieseler, produzido entre 1899 e 1954, reúne registros tanto da vida familiar quanto de acontecimentos públicos do município.

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A cidade formada por diferentes povos

A formação de Ijuí começou em 1890, com a criação da Colônia Ijuhy, em uma região do noroeste gaúcho que recebeu diferentes grupos de imigrantes. A presença dessas comunidades faz parte da história que o arquivo fotográfico ajuda a documentar.

A diversidade cultural também está ligada ao título de Capital Nacional das Etnias, concedido ao município pela Lei Federal nº 14.280, de 28 de dezembro de 2021.

Nesse contexto, as fotografias preservadas no museu aproximam a história coletiva das experiências individuais. Uma imagem de família, uma rua movimentada ou uma construção antiga pode revelar detalhes sobre o modo como a população vivia.

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Como conhecer o acervo

Parte do acervo do museu pode ser consultada no catálogo on-line do MADP, com descrições das coleções e dos documentos.

O Museu Antropológico Diretor Pestana fica na Rua Germano Gressler, 96, no bairro São Geraldo, em Ijuí. Além da fotografia, a instituição mantém coleções ligadas à arqueologia, à imigração, à colonização e a diferentes aspectos da vida regional.

Segundo o portal oficial de turismo do Rio Grande do Sul, o atendimento ocorre de segunda a sexta-feira, das 8h às 11h30 e das 13h30 às 17h. Antes da visita, é recomendável confirmar horários e condições de acesso pelo telefone (55) 3332-0257.