Imagine descer cerca de 250 metros abaixo da superfície para cuidar da saúde. Essa rotina faz parte da vida de pacientes que procuram um dos centros de tratamento mais incomuns do mundo, localizado em uma mina de sal ativa nos arredores de Yerevan, capital da Armênia.
O local recebe pessoas que convivem com asma, bronquite, alergias e outras doenças respiratórias. Em vez de equipamentos modernos e grandes hospitais, elas pas sam horas respirando o ar naturalmente rico em partículas de sal, em um ambiente silencioso e praticamente livre de poluição e alérgenos.
Como funciona o tratamento dentro da mina?
O método recebe o nome de espeleoterapia. Os pacientes permanecem cerca de seis horas por dia no interior da mina durante aproximadamente três semanas. Médicos acreditam que o microclima do local, com temperatura constante de cerca de 19°C, baixa umidade e ausência de poeira, favorece o alívio dos sintomas respiratórios.
A clínica abriu as portas em 1987, ainda durante o período soviético. Na época, pesquisadores observaram que trabalhadores das minas de sal apresentavam menos problemas respiratórios do que a população em geral. Essa constatação motivou estudos que levaram à criação do centro especializado.
Pacientes relatam melhora
Quem procura o tratamento costuma chegar após tentar diferentes alternativas. Um dos pacientes ouvidos pelo jornal britânico The Guardian afirmou que desacreditava do método antes de experimentar.
Tentei todos os tratamentos possíveis, e este foi o único que funcionou. Achei que fosse um absurdo, mas hoje acredito de verdade. Salvou minha vida
A médica Anush Voskanyan, que trabalha no centro desde 1989, afirma que muitas crianças apresentam melhora importante após o tratamento e que alguns pacientes reduzem significativamente a frequência das crises respiratórias.
A ciência ainda busca respostas
Apesar dos relatos positivos, a eficácia da espeleoterapia ainda divide opiniões.
Especialistas reconhecem que o ambiente pode proporcionar conforto para alguns pacientes, principalmente por oferecer um ar limpo e livre de poluentes. No entanto, pesquisas de grande porte ainda não comprovaram de forma definitiva que a técnica substitui os tratamentos tradicionais para asma.
Por esse motivo, organizações médicas consideram a espeleoterapia uma terapia complementar. Quem faz o tratamento deve continuar seguindo as orientações do pneumologista e utilizar os medicamentos prescritos.

Clínica enfrenta risco de fechar
O futuro do centro preocupa médicos e pacientes.
Em 2019, o governo da Armênia retirou o financiamento público da clínica após concluir que não havia evidências científicas suficientes para manter o investimento como política de saúde. Desde então, os pacientes passaram a pagar pelas sessões, o que reduziu drasticamente a procura.
No auge do funcionamento, o espaço recebia cerca de 60 pessoas ao mesmo tempo. Hoje, apenas alguns pacientes frequentam diariamente as galerias subterrâneas, e a equipe admite que o centro pode encerrar as atividades caso não encontre novas fontes de financiamento.
Um lugar que também impressiona pelo ambiente
Além do tratamento, o cenário chama atenção. As galerias subterrâneas lembram um bunker, com corredores escavados no sal, quartos simples, áreas para caminhadas e espaços onde os pacientes fazem exercícios respiratórios ou apenas descansam.
Sem sinal de internet, sem trânsito e sem o barulho das grandes cidades, muitos visitantes descrevem a experiência como um momento de tranquilidade. Para eles, o silêncio da mina faz parte da recuperação tanto quanto o ar salgado.
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